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Organização para a Libertação da Palestina suspende coordenação na segurança com Israel

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Cidadãos palestinianos durante uma manifestação de apoio ao Presidente Mahmud Abbas

FOTO ABBAS MOMANI/AFP/Getty Image

A medida terá que ser ainda aprovada pelo presidente palestiniano Mahmoud Abbas, devendo aumentar a crispação com Israel.

A Organização para a Libertação da Palestina (OLP) decidiu esta sexta-feira  suspender a coordenação ao nível da segurança com Israel, alegando que Telavive não tem respeitado os acordos bilaterais. Resultado? Aumentará certamente a tensão entre os dois países.

"Decidimos suspender todas as formas de coordenação da segurança dado o descumprimento sistemático e permanente de Israel das suas obrigações no âmbito dos acordos assinados. Israel deve assumir todas as suas responsabilidades para com o povo palestiniano, de acordo com o direito internacional", declarou Ahmad Abdelrahman, membro da OLP.

A medida que fazia parte dos acordos de paz assinados em Oslo em 1993 - terá que ser ainda aprovada pelo presidente Mahmoud Abbas, devendo aumentar a crispação entre os dois países.

As autoridades palestinianas acusam Israel de levar a cabo "incursões militares diárias em todo o Estado da Palestina", pedindo que Telvavive assuma "todas as suas responsabilidades".



A OLP decidiu também boicotar todos os produtos israelitas, rejeitando "as tentativas de reconhecer Israel como um Estado judeu".



O organismo manifestou ainda o seu apoio a iniciativas diplomáticas palestinianas no Tribunal Penal Internacional, em Haia, instando a comunidade internacional a responsabilizar Israel por "violações sistemáticas do direito internacional."



Nova fase de tensão

A suspensão da cooperação ao nível da segurança surge na sequência de o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, ter solicitado o cancelamento dda transferência de uma verba de 500 milhões de shekels (cerca de 105 milhões de euros) em impotos impostos arrecadados para a Autoridade Palestiniana, depois da ONU ter anunciado na quarta-feira a entrada da Palestina no Tribunal Penal Internacional (TPI). A partir do dia 1 de abril, a Palestina poderá assim daí denunciar crimes de guerra contra a Israel, nomeadamente o conflito do ano passado em Gaza.



O Estado da Palestina quer pedir ao Conselho de Segurança da ONU que defina uma data para a retirada israelita dos territórios ocupados.  



A partilha de informações de segurança entre a Palestina e Israel era considerado um aspeto-chave para acalmar a tensão entre Israel e a Palestina, desde que as conversações de paz mediadas pelos EUA falharam há cerca de um ano.

Entretanto, a administração norte-americana fez saber que está  preocupada com o agravamento da relações entre Israel e a Autoridade Palestiniana, considerando poder acelerar o plano de paz, após a eleições do próximo dia 17 de março, em Israel.

"Gostaria de assistir à formação de um novo Executivo israelita e a uma nova atitude em relação a este assunto. Queremos encontrar tempo para outro esforço, promovendo a paz. Não posso acreditar que não daremos outra oportuniadde antes de 2016", declarou um porta-voz da Casa Branca ao jornal "Haaretz".

Recorde-se que em dezembro, o Conselho de Segurança da ONU votou a favor de uma resolução a pedir o fim da ocupação israelita da Cisjordânia em dois anos.