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Internacional

Opositora política acusada de conspirar para assassinar Presidente da Venezuela

Jorge Silva/Reuters

A ex-deputada e líder do movimento político Vente Venezuela Maria Corina Machado Parisca foi esta quarta-feira indiciada pelo Ministério Público.

Raquel Pinto

Raquel Pinto

Jornalista

O Ministério Público venezuelanao acusou esta quarta-feira uma opositora do Presidente Nicolás Maduro de estar vinculada a um plano para assassiná-lo.

A audiência decorreu em Caracas, durou três horas, e a visada é Maria Corina Machado Parisca, de 47 anos, ex-deputada e líder do movimento político Vente Venezuela. A procuradora Katherine Harrington tem a seu cargo a investigação da alegada tentativa de assassinato do chefe de Estado e que decorre desde março deste ano, após denúncia de vários parlamentares da Assembleia Nacional. Terão sido interceptadas mensagens eletrónicas.  

O Ministério Público informou em comunicado, divulgado na imprensa venezuelana, ter-lhe sido imputado o "delito de conspiração". O Código Penal do país determina que "quem dentro ou fora do território nacional, conspire para destruir a forma política republicana da nação será castigado com prisão de 8 a 16 anos".  O artigo 132 refere ainda que "na mesma pena incorre o cidadão venezuelano que solicitar uma intervenção estrangeira nos assuntos de política interior da Venezuela; pedir o apoio para perturbar a paz da República perante os seus funcionários ou publicações na imprensa estrangeira; incitar à guerra civi; difamar o Presidente; ultrajar o representante diplomático ou os funcionários consulares da Venezuela, pela razão das suas funções, noutros países", salienta o "El Nacional".

O Ministério Público frisa que, pelo mesmo delito, há ordem de detenção do ex-candidato presidencial Henrique Salas Römer, o opositor e diplomata  Diego Arria Salicetti, o advogado Gustavo Tarre Briceño e os cidadãos Ricardo Emilio Koesling Nava, Pedro Mario Burelli Briceño e Robert Alonso Bustillo. 

Maria "coragem", como surge em cartazes de apoiantes que aguardavam pelo fim da audiência, vai aguardar o julgamento em liberdade. "As acusações são falsas e eu rejeito-as", afirmou. "Não tenho medo", frisou. E o seu próximo passo é a "luta cívica, firme, apaixonada e consciente" para "conquistar a democracia e a liberdade".

Desde 18 de junho que está impedida de sair do país, produto de outro caso relacionado com os protestos violentos de 12 de fevereiro contra o Governo, na qual três pessoas foram assassinadas, e o fundador do partido Vontade Popular, Leopoldo López, acabaria detido.

Foi destituída do cargo de deputada a 26 de março depois de participar numa sessão da Organização dos Estados Americanos a convite do Panamá, para denunciar violação de direitos humanos na Venezuela, o que abriu uma crise diplomática entre os dois países.