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Internacional

Occupy Central: violência regressa a Hong Kong

As autoridades de Hong Kong garantem que o uso de força contra os manifestantes foi "inevitável"

Reuters

Leung Chun-ying deu ordem para uma "ação resoluta" por parte das autoridades e apelou aos estudantes para regressarem às suas casas. "Algumas pessoas têm confundido a tolerância da polícia com a fraqueza. Mas a paciência tem limites", afirmou o líder de Hong Kong.

Os protestos pró-democracia em Hong Kong pareciam estar mais adormecidos, mas no domingo voltaram a subir de tom, tendo-se registado confrontos na zona de Admiralty, junto à sede do governo. Pelo menos 40 pessoas foram detidas e dezenas ficaram feridas, segundo a Reuters.

Em causa esteve uma tentativa de invasão de edifícios governamentais por parte dos manifestantes que cercavam o local, ação que foi reprimida pelas autoridades que recorreram ao uso de bastões e gás-pimenta. Foi também ocupada uma estrada principal naquela zona.

"O nosso objetivo era paralisar a ação do governo. Acreditamos que precisamos exercer pressão na zona dos edifícios governamentais, símbolo do poder do Executivo", disse Alex Chow, secretário-geral da Federação de Estudantes de Hong Kong, citado pela agência AP. 

"A dor é temporária" 

Os manifestantes acusaram a polícia de usar força injustificada, naquela que já é considerada uma das noites mais violentas em dois meses do movimento 'Occupy Central' em Hong Kong. "A dor é temporária. Estamos aqui para lutar por uma democracia verdadeira", afirmou Cheuk Pin, um estudante que foi vítima da carga policial.

As autoridades de Hong Kong garantem, contudo, que o uso de força foi "inevitável" face à tentativa de invasão dos edifícios públicos. "Não tivemos alternativa. Ainda assim a polícia usou o mínimo de força, lançando apenas água, gás-pimenta e recorrendo ao uso de bastões", declarou o superintendente da polícia local Fred Tsui Wai-hung.

Também o porta-voz da polícia, Kong Man-Keung, condenou a ação das organizações de estudantes por apelarem à participação dos jovens em "ações ilegais" nas ruas, além de incitarem à "violência" nas redes sociais.

"Este tipo de apelos levará à participação de mais radicais nos protestos, que puderão tornar a situação ainda mais caótica. A polícia não quer magoar ninguém, apenas manter a ordem pública e a distância de segurança nos edifícios governamentais", afirmou.

Protestos duram desde setembro 

O secretário do gabinete de segurança de Hong Kong, Lai Tung-know, defendeu a atuação da polícia, atribuindo a responsabilidade da escalada de violência aos manifestantes. "A polícia não tinha escolha, teve que atuar para restaurar a ordem", disse o responsável.  

Já o líder de Hong Kong, Leung Chun-ying, considerou que a polícia até foi muito tolerante, sublinhando que deu ordem para uma "ação resoluta" por parte das autoridades. "Algumas pessoas têm confundido a tolerância da polícia com fraqueza. Mas a paciência tem limites", acrescentou o líder do Executivo, citado pelo jornal "Hong Kong Herald", deixando um apelo para os estudantes: "Vão para casa, a polícia não quer prender-vos".

Na semana passada, mais de uma centena de manifestantes, incluindo líderes dos estudantes - foram detidos no bairro de Mong Kok, na sequência da destruição de algumas barricadas e da desocupação de ruas.

Desde 28 de setembro, milhares de manifestantes pró-democracia  saíram para as ruas para exigir a demissão do líder do governo de Hong Kong, Leung Chun-ying, e a eleição por sufrágio universal do seu próximo líder em 2017.