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Obama considera acordo com o Irão pouco provável

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Kevin Lamargue/Reuters

O Presidente americano desvaloriza a importância da intervenção do primeiro-ministro israelita nesta terça-feira no Congresso norte-americano, afirmando estar mais preocupado com a hipótese do Senado aprovar sanções adicionais contra o Irão.

O Irão precisa de aceitar uma paralisação, verificável, da sua atividade nuclear sensível, durante pelo menos uma década, para que seja possível um acordo, mas há menos de 50% de probabilidades de que este venha a ser alcançado, segundo afirmou o Presidente Barack Obama numa entrevista à agência Reuters.

"Eu diria que ainda é mais provável que o Irão não chegue ao 'sim', mas eu penso que (para ser justo para com eles) eles têm levado as negociações com seriedade e têm a sua própria política dentro do Irão. É mais provável que nós consigamos chegar a acordo agora do que era talvez há três ou cinco meses", declarou o Presidente norte-americano.

Obama procurou desvalorizar a importância da intervenção que o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, efetua esta terça-feira no Congresso norte-americano, onde irá expressar a sua posição contra um acordo com o Irão, afirmando que se trata de uma distração que não será "permanentemente destrutiva" das relações americano-israelitas.

"Falando com franqueza, eu estou menos preocupado com o comentário do primeiro-ministro Netanyahu do que com o Congresso tomar ações que podem minar as conversações antes de elas estarem concluídas", disse em referência ao plano, apoiado pelos republicanos e alguns democratas no Senado norte-americano, para imporem sanções adicionais ao Irão caso um acordo não seja alcançado até à data limite de 30 de junho.

Negociações em fase crítica

As negociações para um acordo sobre o programa nuclear com o Irão encontram-se numa fase crítica. Segundo os prazos estipulados, um primeiro acordo de princípio deveria ser concretizado a 31 de março.

O objetivo dos Estados Unidos é que "demore pelo menos um ano desde a altura em que nos dermos conta de que estão a tentar obter uma arma nuclear e o momento em que eles conseguirão mesmo obtê-la", disse Obama.

A Casa Branca negou na semana passada que os Estados Unidos e o Irão estivessem a explorar a possibilidade de um acordo de dez anos, segundo o qual o programa nuclear iraniano começaria por ser suspenso, mas que gradualmente possibilitaria o aumento das atividades, o que permitiriam ao regime de Teerão ter a capacidade de construir armas nucleares no último ano.

O Presidente americano pretende que sejam levantadas sanções ao Irão caso este aceite o plano que defende e frisou existir um "desentendimento substancial" em relação à estratégia defendida pelo primeiro-ministro israelita para travar o programa nuclear iraniano.

Netanyahu argumenta que está em causa a sobrevivência de Israel 

Netanyahu encontra-se a efetuar uma visita de dois dias aos Estados Unidos, para a qual não foi convidado pela Casa Branca, mas antes pelo republicano que preside à Câmara dos Representantes, John Boehner.

Obama não irá encontrar-se com Netanyahu durante esta sua estadia nos Estados Unidos, mas frisou que irá fazê-lo posteriormente, caso seja reconduzido como primeiro-ministro nas eleições gerais que têm lugar daqui a duas semanas em Israel.

No discurso que efetuou segunda-feira no Comité Americano-Israelita para os Assuntos Públicos, Netanyahu afirmou que um acordo para o programa nuclear iraniano poderá ameaçar a sobrevivência de Israel, algo que deverá repetir na sua intervenção no Congresso nesta terça-feira.