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Internacional

O sorriso de Draghi e a cara feia de Schauble

Há imagens que valem por mil palavras. O sorriso do presidente do BCE contrasta com a cara "de poucos amigos" do ministro das Finanças da Alemanha, na reunião anual do FMI em Washington. Draghi e Schauble divergem sobre a melhor forma de combater a deflação e falta de crescimento na zona euro.

From yesterday's IMF/World Bank meetings. If a picture is worth a thousand words... HT @noahbarkin pic.twitter.com/s28jPgBXyi

— Jamie McGeever (@ReutersJamie) 10 outubro 2014

Esta foto tirada numa das sessões de dia 9 de outubro do encontro de outono do Fundo Monetário Internacional (FMI) em Washington DC, fala por si. O sorriso de Mario Draghi, presidente do Banco Central Europeu (BCE), que encontra no FMI um aliado para mais estímulos monetários para evitar a deflação e a recaída na recessão na zona euro, contrasta com a cara de poucos amigos de Wolfgang Schauble, o ministro das Finanças da Alemanha.

As divergências entre o BCE e os responsáveis monetários e das Finanças alemães têm subido de tom, em público, nas últimas semanas. O Bundesbank, banco central alemão, através de múltiplas intervenções do seu governador, Jens Weidmann, coloca muitas dúvidas sobre o novo passo dado pelo BCE ao lançar este mês um vasto programa de aquisição de ativos financeiros privados, uma decisão contra a qual Weidmann votou na reunião de 4 de setembro. Por seu lado, Wolfgang Schaüble, ministro das Finanças do governo alemão chefiado por Angela Merkel, tem seguido as pisadas de Weidmann e levantado a voz contra a "deriva" interventiva do BCE.

Weidmann e Schauble pronunciam-se, também, frontalmente em relação a qualquer evolução da política monetária do BCE para um programa de aquisição de dívida soberana dos membros do euro, considerando tal passo como proibido pelo mandato do banco central.

Recorde-se que o FMI, no "Global Financial Stability Report", divulgado esta semana, recomendou ao BCE avançar para essa solução não convencional extrema no caso do risco de deflação e de recessão se materializar na zona euro. No "World Economic Outlook", agora publicado, os técnicos do FMI reviram em alta as probabilidades de uma deflação e de uma recaída pela terceira vez em recessão na zona euro.