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O relato de um susto. Ucrânia acordou com uma avaria na maior central nuclear da Europa

Imagem da Central Nuclear de Zaporizhye publicada no seu site oficial

DR

Fazendo fé nas declarações dos membros do Governo ucraniano, tudo não terá passado de mais um susto, este ocorrido na central de Zaporizhye. Aconteceu na passada sexta-feira mas só hoje se soube.

Carlos Abreu, com agências

Ucrânia e central nuclear são palavras que, uma vez alinhadas, deixam o mundo em sobressalto desde o acidente de Tchernobyl. Esta quarta-feira de manhã, quando o primeiro-ministro da Ucrânia confirmou, durante uma conferência de imprensa, uma crise na central nuclear de Zaporizhye, as campainhas voltaram a tocar. 

Noutra conferência de imprensa, horas depois, o ministro da Energia veio sossegar os espíritos. Confirmou a notícia, entretanto avançada pela delegação ucraniana da agência de notícias russa Interfax, que dava conta de um problema no reator n.º 3, mas garantiu que tudo não passava de um curto-circuito.

"Não há qualquer tipo de emissões, nem problemas com o reator que não foi afetado pelo acidente. Estamos a fazer tudo para reparar a avaria", disse Volodymyr Demtchichine à agência estatal Ukrinform, salientando que o episódio ocorreu na semana passada, às 19h24 de sexta-feira, 28 de novembro.

O ministro de viva voz e os responsáveis pela maior central nuclear da Europa e quinta maior do mundo, em comunicado publicado esta quarta-feira, estimam que o reator ficará novamente operacional dentro de 48 horas, sexta-feira, dia 5. Uma semana depois, portanto.

As boas notícias hão de saber a pouco para os milhares de ucranianos que ficaram sem energia elétrica, numa altura em que as temperaturas do ar oscilam, entre os 8 e os 16 graus negativos, ainda que por estas paragens as casas sejam aquecidas a gás.

Segundo a Agência Internacional de Energia Atómica, 44% da energia elétrica consumida pelos ucranianos é de origem nuclear. A de Zaporizhye, localizada a 516 quilómetros por estrada da capital, Kiev, e a 230 quilómetros (igualmente por estrada) de Donetsk, onde a autoproclamada república popular acusou esta quarta-feira o exército ucraniano de violar o cessar-fogo, começou a ser construída em 1981.

Mas voltemos Zaporizhye, onde o primeiro de seis reatores entrou em produção no dia de Natal de 1985 e o sexto em setembro de 1996. O terceiro, o do "curto-circuito", começou a ser construído em 1982 e entrou em atividade em março de 1987. Segundo o site globalenergyobservatory.org, debita mais de seis mil gigawatts/hora.

Fazendo fé nas declarações dos membros do Governo ucraniano, tudo não terá passado de mais um susto. Já em Tchernobyl, 28 anos depois da explosão do reactor, prosseguem os trabalhos de descontaminação. Organizações não-governamentais estimam que mais de 780 mil pessoas morreram devido à radiação.