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O que resta da Síria, quatro anos depois

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Dez milhões de sírios foram forçados a abandonar o país, vivendo em muitos caos em campos para refugiados, como o de Mafraq, na Jordânia

MUHAMMAD HAMED/REUTERS

Desde o início da guerra, em 2011, a Síria é um país com menos população, mais pobre, mais esquecido e onde a ajuda humanitária custa mais a chegar. 2014 foi o pior ano de sempre: 76 mil pessoas morreram.

De mal a pior. A situação que se vive na Síria desde o início do conflito, em 2011, é atualmente a mais preocupante de sempre. Os números publicados esta quinta-feira num relatório produzido por 21 organizações de defesa dos direitos humanos dão a dimensão da tragédia: 5,6 milhões de crianças a necessitarem de ajuda; 76 mil sírios mortos só em 2014; e quase 5 milhões de cidadãos a quem o apoio não chega, por viverem em áreas quase inacessíveis. A esperança média de vida, avança um outro relatório, baixou de 75,9 anos em 2010, para 55,7 anos no final do ano passado.

Apesar de as Nações Unidas terem aprovado três resoluções em 2014 para garantir a protecção dos civis, a verdade é que a comunidade internacional falhou na sua aplicação, constatam as organizações não governamentais, entre as quais a Oxfam e a Save the Children.

Na prática, acusam, "foram ignoradas ou menosprezadas pelas partes beligerantes, por países membros da ONU e, inclusive, por membros do Conselho de Segurança".

A guerra não tem poupado nenhum cenário, o que se traduz na destruição - às mãos das forças oficiais e dos rebeldes - de escolas, hospitais e muitas outras infraestruturas civis, quase varridas da realidade do país.

Atendendo aos 10 milhões que se viram forçados a abandonar a Síria e aos mais de 210 mil mortos desde o início da guerra, a população sofreu uma redução drástica, na ordem dos 15%, diz o relatório "Syria: Alienation and Violence, Impact of the Syria Crisis Report", da autoria do Centro Sírio para a Investigação Política, com o apoio da ONU.

O documento sublinha as consequências económicas, com 30% dos habitantes a viverem em condições de pobreza extrema e com o país a sofrer uma perda estimada em mais de 200 mil milhões de dólares desde 2011 - menos 383% do PIB.

Do ponto de vista político, com as atenções do mundo viradas para a ameaça do autodenominado Estado Islâmico (Daesh), retirar do poder o Presidente Bashar al-Assad caiu como prioridade. O regime voltou a recuperar algumas das áreas perdidas para os rebeldes e controla agora as principais cidades do país.