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Internacional

Novo tipo de cancro coloca implantes mamários sob suspeita

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Os implantes são muito usados no universo feminino, seja por questões estéticas ou nas reconstruções mamárias de mulheres que sofreram mastectomias

RAUL ARBOLEDA/AFP/Getty Images

Parecer do Instituto Nacional do Cancro em França recoloca na ordem do dia a questão: as próteses mamárias provocam cancro? Os profissionais de saúde franceses estão em alerta e fala-se já na eventual proibição dos implantes.

Não é a primeira vez que surge a questão das próteses mamárias poderem provocar cancro. Cinco anos depois do caso PIP, cujo resultado foi a detenção do fundador da empresa de fabrico de próteses mamárias "Poly Implant Prothèse", o assunto volta à ordem do dia depois da descoberta de novos casos de cancro ligados aos implantes mamários, como revela esta terça-feira o "Aujourd'hui en france/Le Parisien". 

Segundo o diário, o Instituto Nacional do Cancro de França (INCA) emitiu um parecer a 4 de março onde revela um novo tipo de cancro: linfoma anaplásico de células grandes (LACG ), associado aos impantes mamários. 

As conclusões surgem depois de terem sido encontrados 18 casos desta doença em França, em apenas três anos, tendo uma das doentes morrido, explica o "Le Parisien". Há conhecimento de 173 casos desta doença no mundo, que os oncologistas constataram afetar somente as mulheres com implantes. Ao que parece, o problema não está no conteúdo dos mesmos mas no seu revestimento. 

A esmagadora maioria das mulheres afetadas por LACG (14 em 18 casos) usava próteses mamárias fabricadas pela norte-americana Allergan, o que fez as atenções virarem-se para a marca. Mas os representantes da companhia pedem tempo e explicam que ainda é cedo para serem tiradas quaisquer conclusões. 

François Hébert, vice-diretor-geral da Agência de Segurança Nacional dos Medicamentos (ANSM), partilha a mesma opinião e declarou ao diário francês que nas inspeções feitas à marca, em 2012-2013, não foi detetada qualquer anomalia. Mas logo sublinha que a ANSM "está particularmente vigilante neste caso das próteses mamárias", visto que é "a saúde das mulheres que está em jogo". 

Hébert explica que depois do parecer do INCA "ficou decidido que as mulheres que quisessem colocar implantes seriam obrigatóriamente notificadas deste novo risco, mesmo que seja baixo". O vice-diretor declara ainda que ficou agendada uma reunião de peritos para o fim de março, da qual deverão sair novas informações - e uma eventual decisão - sobre os implantes.