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Novo líder de Chipre do norte quer colocar reunificação em cima da mesa

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Mustafa Akinci no seu discurso de vitória, este domingo

Yannis Kourtoglou / REUTERS

Foi um domingo em grande para Mustafa Akinci. O novo presidente da autoproclamada Republica do Chipre venceu as eleições, conquistando mais de 60% dos votos e deixando para trás o antecessor, Dervis Eroglu. Recém-eleito, Akinci garante que uma das promessas do seu mandato é a reunificação dos setores cipriotas grego e turco.

Comprometeu-se a acabar com quatro décadas de divisão etnica na ilha e os cipriotas de origem turca deram-lhe um voto de confiança. Com 60,38% dos votos, Mustafa Akinci, um esquerdista moderado, deixou para trás o conservador Dervis Eroglu e pôs em cima da mesa a proposta de unificação que os turcos recusaram ao invadir Chipre, em 1974.

Mustafa, que recebeu vários elogios ao longo dos seus 14 anos como presidente da câmara na metade turca da capital Nicósia, já fez saber que está aberto a medidas que possam vir a estreitar as negociações de paz. "Há uma possiblidade de virmos todos a ganhar", afirmou no domingo.

"Anastasiades e eu somos da mesma geração. Se não conseguirmos resolver isto agora, será um fardo tremendo para as gerações futuras", declarou o líder recém-eleito, referindo-se a Nicos Anastasides, líder greco-cipriota da República de Chipre.

Por seu turno, Anastasiades foi um dos primeiros a felicitar Mustafa, afirmando que "a República de Chipre saúda a escolha de Mustafa Akinci como líder da comunidade cipriota turca, um homem que através do seu discurso público e declarações se referiu à necessidade de reunificação do país".

"Esta é claramente uma eleição para uma solução", afirmou James Ker-Lindsay, da London School of Economics, ao "Guardian", acrescentando que "Akinci, mais do que qualquer outro candidato, pode chegar aos cipriotas gregos e assumir os compromissos necessários para levar as negociações a bom porto." Prova disso é que o novo líder, de 67 anos, pretende retomar já no próximo mês as relações interrompidas, em outubro do ano passado, com a ONU.