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Internacional

Nova geração a caminho do trono saudita

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O novo príncipe herdeiro, Mohammed bin Nayef (à esquerda) na companhia do tio Salman, o Rei da Arábia Saudita

Jim Bourg/Reuters

O rei saudita mexeu na linha de sucessão e substituiu um meio-irmão por um sobrinho no lugar de príncipe herdeiro. O novo futuro rei é Mohammed bin Nayef, atual ministro do Interior, a quem chamam "o czar anti-terrorismo".

Margarida Mota

Jornalista

Três meses após assumir o poder, o Rei Salman da Arábia Saudita operou, esta quarta-feira, uma rotura com o passado, nomeando um novo herdeiro, um sobrinho, e afastando desse patamar o príncipe Muqrin, seu meio-irmão.

O novo herdeiro é o atual ministro do Interior, príncipe Mohammed bin Nayef, de 56 anos, até agora vice príncipe herdeiro, ou seja, segundo na linha de sucessão.

A sua designação significa a subida de uma geração mais nova na hierarquia dos Al-Saud. Desde 1953, quando morreu Abdul-Aziz al-Saud - fundador do Reino da Arábia Saudita, em 1932 - que o trono vinha sendo transmitido de irmão para irmão. Muqrin, de 69 anos, agora afastado, era o filho mais novo do fundador. 

Mohammed bin Nayef é neto do fundador do reino, tal como Mohammed bin Salman, de 34 anos, agora designado vice príncipe herdeiro. Este último é filho do atual monarca e ministro da Defesa.

Esta remodelação ditou ainda o afastamento do ministro dos Negócios Estrangeiros há mais tempo no poder em todo o mundo. Saud al-Faisal, de 75 anos, no cargo desde 1975, foi substituído por Adel al-Jubeir, de 53 anos, até agora embaixador nos Estados Unidos. 

Prioridade na luta ao terrorismo 

Paralelamente a uma revolução geracional na linha da sucessão, esta alteração de príncipe herdeiro significa também o reconhecimento do combate ao terrorismo como uma das prioridades governativas no país.

O novo herdeiro é atualmente ministro do Interior, descrito por vários órgãos de informação internacionais, desde a agência Associated Press ao jornal "The New York Times", como "o czar anti-terrorismo" da Arábia Saudita.

Horas antes de serem conhecidas as novas nomeações reais, Riade anunciou a detenção de 93 suspeitos de ligações ao autodenominado Estado Islâmico (Daesh). Dois deles estariam a planear um atentado com um carro armadilhado contra a embaixada dos Estados Unidos em Riade. 

A atividade terrorista é um dos problemas internos reconhecidos por Riade. Em 2004, as autoridades sauditas estabeleceram um sistema de reabilitação de terroristas visando a sua desradicalização através de programas de educação religiosa e de aconselhamento psicológico. 

Em novembro passado, o ministério do Interior admitiu que 12% dos utentes desses programas tiveram recaídas e voltaram a envolver-se em atividades terroristas.

O problema do terrorismo na Arábia Saudita ganhou visibilidade após o 11 de Setembro. Um total de 133 cidadãos sauditas passaram pelo campo de detenção norte-americano de Guantánamo, aberto em 2002 para suspeitos de terrorismo. A bordo dos aviões que realizaram o 11 de Setembro, 15 dos 19 piratas do ar também eram sauditas.