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Ninguém sabe o que está a acontecer em França. País está em alerta máximo

O Presidente francês, François Hollande, e o primeiro-ministro Manuel Valls

Getty

Sábado: um homem ataca com uma faca três polícias numa esquadra em Joué-Lès-Tours. Domingo: um indivíduo atropela 13 pessoas em Dijon. Ambos gritaram: "Alá é grande". Segunda: um atropelamento causa 11 feridos em Nantes - o autor esfaqueou-se. Dúvidas: imensas. Certezas: quase nenhuma. Os casos estão a ser investigados e aumenta a vigilância face ao terrorismo em França.  

Antes de uma reunião de urgência do governo francês, o primeiro-ministro, Manuel Valls, declarou esta terça-feira que para já "não há nenhuma ligação" entre os acontecimentos dos últimos dias em Nantes, Dijon e Joue-Les-Tours, assegurando, contudo, que os casos estão a ser investigados e que o Executivo vai tomar medidas com vista a minimizar os riscos de terrorismo.

"Não estamos a minimizar a situação. Compreendo as preocupações fortes e legítimas, mas estamos a procurar perceber o que se passou", afirmou Manuel Valls à Rádio Europe 1.

O governante apelou à "vigilância" e à "unidade" em França , numa altura em que o país vive uma situação de "perigo". "Nós nunca experimentámos tamanhos riscos, devido ao terrorismo. Mas a melhor resposta é continuar a viver pacificamente com a necessária vigilância, obviamente", disse Valls.

Os membros do executivo francês estiveram reunidos esta manhã no palácio de Matignon  para discutir respostas face aos atos recentes de terrorismo, tendo  decidido aumentar o número de patrulhas militares nas ruas durante a quadra das festas. "Haverá 200 a 300 tropas adicionais destacadas nas próximas horas, sobretudo, nos centros das cidades, junto aos centros comerciais, estações de comboios e outros transportes ", afirmou o primeiro-ministro.

Também o Presidente François Hollande apelou à calma dos cidadãos, garantindo que seria reforçada a segurança no país. "Não devemos entrar em pânico e viver na amálgama dos medos ", disse o chefe de Estado, citado pelo jornal "Les Echos".

Já o vice-presidente da Frente Nacional, Florian Philippot, defendeu, por seu turno, na segunda-feira que ainda era muito cedo parar se tirarem conclusões, principalmente, do último incidente. "A Joue-les-Tours, era obviamente terrorismo. Em Dijon também. Em Nantes, vamos ver. Não me quero apressar com conclusões. Ainda estamos a reunir os dados e a ouvir testemunhas."

De acordo com o responsável, é essencial também seguir de perto o Estado Islâmico (EI) na internet, nomedamente através dos seus apelos nas redes sociais para conquistarem mais seguidores e o incentivo à realização de atos terroristas nos países que integram a coligação internacional contra o EI.

Há três dias que ocorrem incidentes em França. Na segunda-feira, 11 pessoas ficaram feridas, na sequência de um atropelamento a cidade de Nantes, no oeste do país. O condutor esfaqueou-se e encontra-se numa "situação crítica."

No domingo, foi registado outro atropelamento em Dijon, que causou 13 feridos. Allahu Akbar, de 40 anos, foi o autor do acidente, enquanto no sábado, outro homem, chamado Bertrand Nzohabonayo, cidadão francês convertido ao Islão,  atacou com uma faca três polícias numa esquadra em Joué-Lès-Tours.  Ambos gritaram: "Alá é grande".

França, Reino Unido, Portugal, Holanda, Dinamarca e Austrália são alguns dos membros da coligação internacional contra o Estado Islâmico, que é liderada pelos EUA.

[Atualizada às 16h03]