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Nigéria. Primeiros resultados das eleições deverão ser hoje conhecidos

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Houve quem tivesse esperado longas horas para poder escolher o futuro presidente da primeira potência económica do continente africano

Akintunde Akinleye/Reuters

Ninguém arrisca um prognóstico sobre o resultado das eleições presidenciais deste fim de semana. Apesar dos ataques do Boko Haram, em que morreram pelo menos 41 pessoas, as Nações Unidas consideraram que o ato foi "amplamente pacífico e organizado".

Os guerrilheiros do grupo radical islâmico Boko Haram mataram pelo menos 41 pessoas este fim de semana no nordeste da Nigéria, procurando, desta forma, suspender as eleições presidenciais. Entre as vítimas estão dois funcionários da Comissão Eleitoral Independente, informou o seu principal responsável, Attahiru Jega.

Segundo o porta-voz da polícia, Haruna Muhammad, as forças as ordem detiveram uma coluna com dez veículos na qual seguiam "homens armados não identificados" na aldeia de Dindima, a oito quilómetros de Bauchi, capital do estado com o mesmo nome, onde acabariam por ser escutados diversos disparos, domingo ao anoitecer. Durante a tarde, informou ainda Haruna Muhammad, estes homens teriam atacado assembleias de voto nas cidades de Kirfi e Alkaleri.

Os observadores internacionais elogiaram o processo eleitoral, apesar dos atrasos na entrega dos materiais e de problemas técnicos ligados ao uso, pela primeira vez, dos leitores de cartões biométricos, que obrigaram a comissão a suspender, no sábado, o escrutínio em determinadas mesas de voto. O próprio Presidente Goodluck Jonathan não pôde votar à primeira tentativa.

Projeções costumam desencadear violência 

O secretário-geral das Nações Unidas considerou, em comunicado, que o ato foi "amplamente pacífico e organizado" e a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental diz que o processo foi "fiável". Para a União Africana "o povo da Nigéria mostrou a sua paciência e a sua determinação em ter um processo democrático pacífico".

Os primeiros resultados das eleições que colocam frente a frente Goodluck Jonathan, um cristão de 57 anos do Sul, e o antigo ditador, general Muhammadu Buhari, muçulmano de 72 anos do Norte, deverão ser divulgados esta segunda-feira à noite. Além do futuro Presidente, cerca de 69 milhões de eleitores foram chamados às urnas para escolher os 109 senadores e os 360 deputados da primeira potência económica do continente africano.

Temendo uma eventual repetição da onda de violência que varreu o norte da Nigéria nas últimas presidências, em 2011, quando Jonathan derrotou Buhari, o Tribunal Internacional de Justiça está a monitorizar o ato eleitoral e já ameaçou agir contra todos aqueles que incidem à desordem. Mais de mil pessoas morreram há quatro anos nos confrontos entre muçulmanos e cristãos no norte do mais populoso de África.