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Internacional

Nicolas Sarkozy propõe fim da igualdade dos Estados na União Europeia

Eric Gaillard/Reuters

Ex-Presidente francês entra na campanha eleitoral para as europeias e defende a suspensão dos acordos de Schengen e o fim do "mito" da igualdade entre todos os Estados membros da UE.

Daniel Ribeiro, correspondente em Paris

A hipótese de uma vitória em França dos nacionalistas da Frente Nacional (FN, de Marine le Pen) nas eleições europeias do próximo domingo anima a fase final da campanha eleitoral naquele país.  

Num artigo publicado esta quinta-feira em França e na Alemanha, respetivamente no semanário "Le Point" e no diário "Die Welt", o antigo Presidente Nicolas Sarkozy aborda o problema da imigração na Europa, defendendo a "suspensão imediata" dos acordos de Schengen sobre a livre circulação de pessoas na União Europeia.

Referência máxima do partido UMP (direita francesa), Sarkozy defende a negociação de "um Schengen II" que, segundo ele, apenas deverá integrar os países que "previamente adotem uma mesma política de imigração". A crítica às políticas de imigração na UE é um dos temas dominantes da campanha eleitoral da FN em França.

Quanto ao funcionamento da União, Nicolas Sarkozy propõe, na prática, a institucionalização de um diretório franco-alemão para a governar. "Temos de deixar de acreditar no mito da igualdade dos direitos e das responsabilidades entre todos os Estados membros", escreve. No artigo, cita designadamente os exemplos de Malta, Chipre e Luxemburgo, para dizer que eles, economicamente, "não têm as mesmas responsabilidades que a França, a Alemanha e a Itália".

Propondo também uma forte redução das competências da Comissão de Bruxelas, afirma: "É à Alemanha e à França que cabe assumir a maior parte da responsabilidade na condução do governo económico da zona euro".

Para as eleições do próximo domingo, as últimas sondagens apontam, em França para a vitória da Frente Nacional, seguida da UMP e do PS, atualmente no poder em Paris.