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Netanyahu em Washington sem ter sido convidado pela Casa Branca

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O primeiro-ministro israelita partiu no domingo para Washington

Marc Sellem/Reuters

"Não queremos ver isto transformado num grande jogo de futebol político", afirmou o secretário de Estado, John Kerry, procurando amenizar os ânimos em torno da visita aos Estados Unidos do primeiro-ministro israelita. Netanyahu vai discursar no Congresso contra um acordo com o Irão relativo à energia nuclear.

Cerca de 30 representantes do Partido Democrata no Congresso dos EUA já indicaram que vão ausentar-se da sessão em que o primeiro-ministro israelita irá falar, na terça-feira, contra um acordo com o Irão para a energia nuclear. Mesmo entre os que irão permanecer, a intervenção de Benjamin Netanyahu não é bem vista, pois muitos consideram que a sua posição não espelha a de toda a comunidade judaica.

Ao partir de Jerusalém com destino a Washington, no domingo, Netanyahu disse que ia numa missão como enviado de "todo o povo judaico". A visita de dois dias aos Estados Unidos está, contudo, a criar tensões em ambos os lados.

A "missão" do primeiro-ministro israelita é vista como uma tentativa de colher dividendos para as eleições legislativas do próximo dia 17, em que Netanyahu tenta ser reeleito para o cargo. As sondagens mostram grande proximidade entre o seu partido Likud (direita) e a União Sionista, de centro-esquerda, que reúne o Partido Trabalhista e o centrista Hatnuah, da ex-ministra dos Negócios Estrangeiros Tzipi Livni.

Netanyahu está nos EUA, mas o convite não partiu da Casa Branca, o que muitos políticos norte-americanos consideram ser uma quebra de protocolo. A iniciativa foi de John Boehner, do Partido Republicano, líder da Câmara dos dos Representantes, que não consultou Barack Obama nem o secretário de Estado, John Kerry. Acresce que o Presidente dos EUA e o líder israelita têm grandes divergências políticas, sobretudo relativamente ao programa nuclear iraniano e aos colonatos israelitas em território palestiniano.

Procurando amenizar o ambiente, Kerry declarou à televisão ABC, no domingo: "Não queremos ver isto transformado num grande jogo de futebol político". E acrescentou: "O primeiro-ministro de Israel é bem-vindo para falar nos Estados Unidos, obviamente. Temos uma relação mais próxima com Israel, em termos de segurança, do que em qualquer outro momento da nossa história".

O líder da diplomacia americana frisa, porém, que as Nações Unidas merecem o "beneficio da dúvida" para tentar um acordo como Irão num acordo para a energia nuclear. O assunto vai seguramente figurar no discurso que Netanyahu proferirá, esta tarde, na conferência anual do Comité dos Assuntos Públicos Americano-Israelitas. Na terça-feira o líder israelita intervém perante o congresso.