Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Nem mais próximos, nem mais distantes

  • 333

FOTO REUTERS

O ponto da situação das negociações entre o governo de Atenas e os credores internacionais.

Estão as autoridades gregas e as instituições da troika mais perto de chegar a uma base comum de entendimento sobre a lista de reformas? Fonte próxima do processo disse ao Expresso que "não". Também a Comissão Europeia continua a dizer que "ainda não chegámos aí", referindo-se à conclusão do processo de negociação entre gregos e credores. "O objetivo é chegar a um pacote de reformas, alargado e credível", disse em Bruxelas a porta-voz do executivo comunitário, Mina Andreeva.  

Em Madrid, também o Presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, disse esta terça-feira que não é de esperar "qualquer avanço antes da Páscoa", justificando que o processo de avaliação do plano de reformas "é muito complexo". Ainda assim, Tusk mantém-se confiante que um acordo será encontrado até ao final de abril, garantindo que a situação na Grécia está "sob controlo". 

Não há para já sinais de total entendimento, mas também não há rutura. As negociações vão continuar em torno da lista que Atenas entregou na sexta-feira. Por enquanto, o chamado Grupo de Bruxelas - até aqui chamado "troika" -, que inclui representantes da Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional, entrou em modo pausa. 

Segundo fonte europeia, o objetivo é permitir a preparação de uma reunião do Grupo de Trabalho do Eurogrupo (GTE), órgão que prepara os encontros dos 19 ministros das finanças da moeda única. A reunião do GTE deverá decorrer esta quarta-feira, por teleconferência. A mesma fonte adianta que as conversas deverão ser retomadas a seguir. 

Na reunião desta quarta-feira, o grupo de trabalho deverá olhar para os progressos feitos e para os pontos em torno dos quais gregos e credores ainda não chegaram a um entendimento. Para já, não há data prevista para uma nova reunião do Eurogrupo, essencial para aprovar um eventual desembolso (mesmo que parcial) dos 7,2 mil milhões de euros que restam do programa de assistência. Dinheiro do qual a Grécia deverá precisar já em abril. 

Detalhes, detalhes, detalhes

Apesar de conter 15 páginas, a lista enviada por Atenas na sexta-feira não incluía detalhe suficiente para convencer os credores sobre os cálculos apresentados. O governo grego estima que as reformas podem vir a ter um impacto orçamental de 3,7 mil milhões de euros. Os parceiros europeus querem mais detalhes.  

As receitas adicionais previstas por Varoufakis vêm, por exemplo, de impostos sobre os depósitos de cidadãos gregos no estrangeiro (até 750 milhões). De acordo com os meios gregos de comunicação social, as medidas fiscais incluem ainda o combate à fuga ao IVA (350 milhões), o licenciamento de estações de televisão (350 milhões), a recuperação de pagamentos em atraso às finanças e à segurança social (600 milhões), luta contra o contrabando de tabaco e combustível (250 milhões) ou o dinheiro conseguido com os novos jogos de apostas online (200 milhões).  

Segunda-feira, no Parlamento grego, Alexis Tsipras voltou a dizer que espera "um compromisso honesto" com os credores, mas que não está disponível para um "rendição incondicional". Por exemplo, ao nível das pensões, o governo do Syriza parece estar disposto a limitar as reformas antecipadas e cortar nas exceções fiscais, mas não a eliminar os pagamentos extra no caso das pensões mais baixas ou a modificar o subsídio de Solidariedade Social dos Pensionistas (EKAS), escreve o "El País".  

O executivo helénico mantém ainda a privatização do porto de Pireo e de uma dezena de aeroportos regionais, o que permitirá arrecadar 1,5 mil milhões de euros. Mas o valor fica abaixo - em menos 700 milhões - do objetivo fixado com a troika e assumido pelo anterior governo de Antonis Samaras. 

Sem acordo esta semana, as negociações deverão continuar na próxima. No passado dia 19 de março, a reunião entre Tsipras, Merkel, Hollande e os presidentes da Comissão Europeia, Conselho Europeu, BCE e Eurogrupo abriu a porta para a marcação de uma reunião extraordinária dos ministros das Finanças, assim que houvesse progressos nas negociações das reformas. Com o tempo a passar e a dificuldade em chegar a um acordo final, a decisão sobre o adiantamento de dinheiro à Grécia poderá ser empurrada para a reunião informal do Eurogrupo, marcada para 24 de abril, em Riga, na Letónia.