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Naufrágio no Mediterrâneo. Detidos o comandante e um tripulante

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Um dos sobreviventes do naufrágio, à chegada ao porto de Catania, na segunda-feira

ANTONIO PARRINELLO/REUTERS

Os dois homens estão acusados de envolvimento em redes de tráfico humano, diz a polícia italiana, no dia em que as Nações Unidas apontam para um total de 800 mortos na tragédia de domingo.

O comandante da embarcação que naufragou no Mediterrâneo no domingo e um elemento da tripulação foram detidos pelas autoridades italianas, acusados de tráfico humano. Os dois chegaram na noite de segunda-feira ao porto siciliano de Catania, entre o grupo de sobreviventes da tragédia, tendo ficado sob a alçada da polícia depois de serem recolhidos os depoimentos de vários dos passageiros. A informação surge no dia em que as Nações Unidas fixam em 800 o número de mortos resultante do naufrágio.



O tunisino que a polícia acredita estar ao comando da embarcação é ainda acusado de múltiplo homicídio negligente. Muitos dos passageiros terão morrido fechados no porão.



De acordo com o procurador italiano Giovanni Salvi, os restantes 25 sobreviventes que chegaram a Catania serão postos em liberdade, depois de identificados e assistidos clínicamente. "Esperamos que peçam asilo", acrescentou.



Os relatos destes homens - não há mulheres nem crianças entre quem escapou - dão também conta do desespero vivido. Muitos mantiveram-se à tona apoiando-se nos cadáveres que flutuavam à sua volta.

Ainda com centenas de corpos por recuperar, com a certeza de que a maior parte deles não chegarão a ser encontrados, os ministros do Interior e dos Negócios Estrangeiros dos países da União Europeia reuniram-se de emergência no Luxemburgo. Desse encontro, na segunda-feira, sairam as decisões de reforçar com urgência os meios para as operações de patrulhamento e segurança marítima no Mediterrânneo e promover o lançamento de operações contra as redes de tráfico humano na Líbia.

A propósito deste último naufrágio, António Guterres, que lidera o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), lembrou que "infelizmente a operação 'Mare Nostrum' nunca foi substituída por uma de capacidade equivalente de salvar pessoas" e defende o incremento das vias legais, "sobretudo para os que precisam de proteção, para que possam vir para a Europa".

Navio que prestou socorro pode ter provocado o naufrágio

Ainda sobre as causas para o pesqueiro oriundo da costa líbia ter naufragado, a CNN cita esta terça-feira a porta-voz da ACNUR, dizendo que a embarcação pode ter afundado por causa de um toque ou da ondulação proviocada pela aproximação do "King Jacob", o navio com bandeira portuguesa que foi em seu auxílio .

Carlotta Asami baseia a sua hipótese nos relatos feitos pelos sobreviventes, o que é contrariado pelas autoridades italianas e já foi desmentido pela companhia a que pertence o "King Jacob". Na versão oficial, a embarcação naufragou depois de os passageiros se terem concentrado num dos lados do pesqueiro, fazendo-o tombar.