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Internacional

NATO denuncia "grandes transferências de armas" da Rússia para a Ucrânia. Moscovo diz que Aliança desestabiliza os bálticos

O aeroporto de Donetsk continua a ser o "alvo prioritário" para os separatistas

DOMINIQUE FAGET/AFP/Getty Images

Secretário-geral da Aliança Atântica certifica tese do Governo de Kiev de  violação do cessar-fogo. A diplomacia russa diz que a NATO é a causadora da instabilidade nos países bálticos e anuncia mais manobras militares.

Raquel Pinto

Raquel Pinto

Jornalista

O secretário-geral da NATO acusa a Rússia de estar a "fomentar o conflito" no leste da Ucrânia ao fazer chegar aos separatistas pró-russos "grandes quantidades" de armas de última geração. As declarações de Jens Stoltenberg surgem um dia depois da mensagem do governo de Kiev com a denúncia de entrada de uma caravana com centena de veículos em território ucraniano, no domingo. A Ucrânia diz que Moscovo utiliza a ajuda humanitária como disfarce para conseguir, através das forças especiais, dotar os rebeldes de meios militares.  A Rússia continua a negar e aponta o dedo à NATO. 

"Assistimos a um aumento de militares em redor e dentro da Ucrânia, com grandes transferências de armas avançadas, pessoal militar e equipamento para os separatistas", confirmou Jens Stoltenberg , sublinhando que os separatistas e os russos "não estão a cumprir o acordo de Minsk", que ditou o cessar-fogo, estando desta forma a "minar" os esforços com vista a uma solução pacífica. Respeitá-lo "é a forma mais correta para melhorar a situação", acrescentou.

As tropas ucranianas ainda estão a "segurar" o aeroporto de Donestsk, numa "luta pesada" no terminal antigo, assegura o porta-voz militar ucraniano Andriy Lysenko, que nega os relatos que de que tinham feito explodir o terminal, após a incursão separatista iniciada no sábado, noticia a "BBC". O responsável adianta que as tropas de Kiev infligiram "graves prejuízos" aos rebeldes, armados com "artilharia pesada" e "foguetes".

Os rebeldes, que controlam a maior parte das regiões de Donetsk e Luhansk, têm acusado o exército da Ucrânia de bombardear indiscriminadamente zonas residenciais de Donetsk a partir de posições em redor do aeroporto.

Do lado separatista nenhuma confirmação do combate neste fim de semana. Do lado russo, a voz de protesto do ministro dos negócios estrangeiros Alexei Meshkov contra a NATO surge em resposta às acusações feitas pelo dirigente máximo: "Eles estão a tentar desestabilizar a região mais estável do mundo - o norte da Europa", afirma à agência russa Interfax. 

"Os intermináveis exercícios militares, as movimentações de aviões com capacidade para transportar armas nucleares para os Bálticos, esta é uma realidade extremamente negativa", frisa ainda, garantindo que a Rússia irá tomar "todos os passos" a fim de "assegurar a sua própria segurança".  A Rússia anunciou hoje ter o objetivo de realizar no verão de 2015 mais exercícios militares do que em 2014 - um "movimento susceptível de ser interpretado para o exterior como uma flexão de músculos", denota a "Reuters".

Só este ano, a NATO já levou a cabo mais de uma centena de interceções à aviação militar russa, triplicando o número de ações do ano passado. No mês de outubro, a Aliança Atântica denunciou "manobras aéreas incomuns" nos céus da Europa, tendo chegado ao espaço aéreo português.

Este é o pior impasse entre a Rússia e o Ocidente deste a Guerra Fria. A crise elevada com a anexação da Crimeia à Rússia já fez mais de 4300 mortos. 

Amanhã, terça-feira, os países da NATO vão discutir estratégias para "uma força de alta prontidão", capaz de ser rapidamente acionada na Europa Oriental.