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"Não saberia como continuar a ser modelo." Gisele disse-nos adeus

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Gisele Bündchen acompanhada de outras modelos no desfile da Colcci para o Verão 2016, em São Paulo.

Paulo Whitaker / Reuters

Dizem que já foi (ainda será) a mulher "mais bonita do mundo". Ao fim de 20 anos de carreira, o corpo pediu-lhe para parar. Quarta-feira foi o último dia dela como a conhecemos até aqui - rainha da passerelle. Aconteceu em São Paulo, esta quarta. E fica a nota: parece que vamos vê-la nas novelas.

Helena Bento

Jornalista

Horas antes da despedida, Gisele Bündchen publicou no Instagram uma fotografia do seu primeiro desfile, agradecendo a "oportunidade" que lhe foi dada aos 14 anos de iniciar uma carreira na moda. "Após 20 anos nesta carreira, é um privilégio estar fazendo meu último desfile por escolha própria e ainda continuar trabalhando em outras facetas da indústria." 

Abrindo o desfile da Colcci (marca brasileira que a leva regularmente ao Brasil) com um vestido às riscas branco e salmão (que haveria de substituir, entrando outras duas vezes na "passerelle", por um vestido branco em renda e sandálias pretas e por um top branco e calças de ganga), a supermodelo teve palmas, lágrimas, abraços e palavras bonitas, esta quarta-feira - dia do último desfile, em São Paulo. "O caminhar dela e aquela paradinha que ela faz virando, todas modelos já sabem, o dela é original e não adianta copiar", disse a conhecida modelo brasileira Aline Weber, citada pelo "Jornal da Globo".

Nascida em 1980 na cidade de Horizontina, na região noroeste do Rio Grande do Sul, no seio de uma família com ascendência alemã, Gisele Bündchen desfilou pela primeira vez aos 14 anos num desfile amador. Logo ali chamou a atenção de alguns "olheiros" que se encontravam entre os membros da plateia. Foi convidada a integrar a agência de modelos Elite Model Management, tendo-se mudado para São Paulo. Dois anos depois, estreava-se na New York Fashion Week, mudando novamente de cidade, desta feita para Nova Iorque, cidade-sorte, cidade-ouro, pois seria ali que viria a desfilar a convite do conceituadíssimo designer britânico, Alexander McQueen, falecido em 2010.

No final dos anos 80, Gisele Bündchen era já uma das modelos mais cobiçadas, com aparições frequentes nas capas da "Vogue" e outras revistas de moda internacionais. 2000 viria a ser outro ano relevante para a modelo, que assinou um contrato milionário com a marca de lingerie norte-americana Victoria's Secret (para a qual deixaria de trabalhar sete anos depois). Ainda em 2000 foi nomeada "a mulher mais bonita do mundo" pela revista "Rolling Stone" e, durante oito anos consecutivos, esteve no topo da lista das modelos mais bem pagas do mundo, segundo a revista económica "Forbes".

Gisele Bündchen despediu-se das "passerelles" porque o corpo lhe pediu para parar. "Automaticamente o meu corpo diz-me se o que faço vale a pena e pediu-me para parar", disse ao jornal brasileiro "Folha de São Paulo", acrescentando que respeita o seu corpo e que é um "privilégio" ser capaz de parar. "Não saberia como continuar a ser modelo na 'passerelle'." Deseja passar mais tempo com a família (tem dois filhos e é casada com o jogador de futebol norte-americano Tom Brady), mas o mais provável, muito provável aliás, é que não venha a afastar-se totalmente do mundo da moda. 

Continua a ser o rosto de várias campanhas publicitárias e já veio a público dizer que a possibilidade de fazer algumas apresentações especiais não está afastada. Sabe-se ainda que vai participar numa telenovela brasileira e em editoriais de moda. 

É verdade que o "trono da passerelle agora está vazio", como escreve a revista "Vogue" espanhola, mas Gisele Bündchen continuará a ser uma referência no mundo da moda, porque, como já dizia alguém, ela está para as "passerelles" como Pelé para o futebol.

E para que não haja dúvidas relativamente à veracidade da afirmação, fica a frase completa, da autoria da consultora de moda Glória Khalil, citada pelo "Jornal da Globo": "Eu vi o Pelé dizer que ia deixar o futebol e depois ele ainda jogou muito tempo e muito bem. Eu espero que ela repita, porque ela é o Pelé das passarelas."

FOTO REUTERS