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"Não há lugar para a pena de morte no século XXI", diz Ban Ki-moon

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Ban Ki-moon pediu ao Governo indonésio que poupe a vida dos prisioneiros que ainda se encontram no corredor da morte

TONY GENTILE/REUTERS

O secretário-geral da ONU reagiu com consternação à execução, por um pelotão de fuzilamento, de oito condenados por tráfico de droga na Indonésia.

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Ban Ki-moon expressou o seu pesar e horror pela execução de oito pessoas, a 29 de abril, que tinham sido condenadas à morte por tráfico de droga na Indónesia. O secretário-geral da ONU afirmou, num comunicado publicado esta quarta-feira, que "não há lugar para a pena de morte no século XXI" e pediu ao Governo indonésio que poupe a vida dos prisioneiros que ainda se encontram no corredor da morte.

Prasetyo, o procurador-geral indonésio responsável pelo processo, afirmou, por seu lado, que "as execuções não são uma coisa agradável. Não é um trabalho divertido". "Mas temos de o fazer para salvar a nossa nação do perigo das drogas", justificou.

Dois australianos, um indonésio, quatro nigerianos, um francês, uma mulher filipina e um brasileiro aguardavam no corredor da morte por uma demonstração de clemência por parte do Governo indonésio. Mas só o francês e a filipina foram, por enquanto, poupados.

Execuções adiadas 

Mary Jane Veloso recebeu um indulto, nos instantes que antecederam a execução, por ter denunciado à polícia a mulher que alegadamente lhe colocou a droga na mala. A polícia adiou a execução da filipina para fazer novas investigações. 

O detido francês, Serge Areski Atlaoui, ficou também a aguardar nova decisão, por questões relacionadas com o seu pedido de clêmencia. A França disse estar totalmente mobilizada para o ajudar.

Já o brasileiro Rodrigo Gularte, de 42 anos, foi executado a tiro juntamente com os outros sete. A Gularte tinha sido diagnosticada esquizofrenia e bipolaridade. O segundo diagnóstico, levado a cabo pela Procuradoria-Geral indonésia, não foi tornado público.

O padre Charlie Burrows, que acompanha os condenados nos últimos dias, confessou a uma rádio irlandesa que Rodrigo não tinha consciência que ia morrer. "Conversei com ele cerca de uma hora e meia, tentando prepará-lo para a execução. Mas quando levaram os prisioneiros para fora das celas e lhes colocaram as correntes ensanguentadas, ele perguntou-me: 'vou ser executado?'."

A Indonésia tem as leis de tráfico de droga mais duras do mundo. Segundo a Agência Nacional de Narcóticos da Indónesia, 33 pessoas morrem diariamente devido ao consumo de drogas.