Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Mulher tchetchena rapta os dois filhos para se converterem ao Estado Islâmico na Síria

  • 333

Em outubro do ano passado, uma mulher refugiada em Maastricht (Holanda) raptou os seus dois filhos, de 7 e 8 anos, levando-os para a Síria. O intuito era convertê-los ao autodenominado Estado Islâmico. O pai das crianças, que tinha a sua custódia, e as autoridades não conseguiram evitar o sequestro. O caso foi conhecido esta segunda-feira.

Uma mulher tchetchena de 32 anos raptou os seus dois filhos, levando-os para a Síria, com o intuito de os converter ao autodenominado Estado Islâmico (Daesh). O sequestro ocorreu a 29 de outubro do ano passado mas só esta segunda-feira se tornou conhecido. A mulher é uma refugiada que chegou em 1999 a Maastricht, na Holanda, e era vigiada pelos serviços de informação holandeses desde 2011. 

A identidade da mulher tchetchena permanece desconhecida, mas de acordo com Mark, o holandês pai das duas crianças sequestradas, a quem tinha sido atribuída a custória das mesmas, trata-se de uma muçulmana que se radicalizou e aderiu ao grupo extremista através da internet.  

As fotografias de Luca e Aysha, os dois filhos da mulher tchetchena e de Mark, com oito e sete anos, respetivamente, inundaram esta segunda-feira os meios de comunicação holandeses e deram a conhecer o caso já ocorrido em outubro de 2014. Mark - apesar de ter sido avisado, na altura, pelo diretor da escola onde as crianças estudavam que a mãe tinha na sua posse três bilhetes de avião para a Grécia - e as autoridades holandesas não conseguiram prevenir o sequestro. De acordo com o jornal espanhol "El País", a mãe e as crianças conseguiram apanhar um avião na Bélgica e depois outro na Grécia, usando passaportes falsos.  

No entanto, as autoridades não conseguem perceber como é que a mulher conseguiu escapar, uma vez que ela era vigiada pelo serviços de informações holandeses desde 2011. Procuradores internacionais, citados pela Reuters, suspeitam que tenha recebido ajuda externa para conseguir viajar. Em dezembro do ano passado, a tchetchena publicou na sua conta do Facebook que o bairro onde se encontrava tinha uma parede verde com plantas "murchas". Dois dias depois, escreveu que "graças a Deus" vivia em Raqqa, na Síria.  

Este é o primeiro caso conhecido na Holanda de um parente que rapta os próprios filhos para os recrutar para o grupo extremista. Desde 2013, pelo menos 31 crianças saíram da Holanda a caminho da Síria, com o consentimento dos dois pais.

O dia em que as crianças foram raptadas 

De acordo com o "El País", dois meses antes de 32 anos publicar no Facebook o seu paradeiro, a mulher de 32 anos foi buscar o seu filho Luca à escola. Antes de sair, pediu a uns funcionários escolares para fotocopiar uns documentos que, supostamente, os serviços sociais lhe tinham pedido. Quando o diretor adjunto da escola reparou numa página de internet que a mulher deixou aberta, com magens de bilhetes de avião para Alexandroupoulis (Grécia), com escala em Atenas, telefonou de imediato ao pai. 

Às 16h30 dessa tarde, Mark ligou para a ex-mulher mas recebeu a resposta de que estaria em Maastricht e que estava com pouca bateria no telemóvel. Foi a última vez que conseguiu falar com a mãe dos seus filhos.  

Mark alertou em seguida as autoridades, que se deslocaram à casa da mulher. Mas já lá não estava lá ninguém. Consta que a fugitiva foi a casa da sua mãe buscar a sua filha Aysha - que nesse dia faltara à escola por estar doente. O "El País" adianta que os três chegaram ao aeroporto de Dusseldorf (Alemanha) através de um táxi conduzido por uma mulher de origem turca, que confessou às autoridades locais que a mulher e os seus filhos "iam de férias para a Grécia".  

No entanto, a mulher e os filhos não conseguiram entrar no avião que haviam marcado para aquele dia. Duas semanas depois apanharam um outro voo para Grécia a partir do aeroporto belga de Charleroi - desconhecendo-se como conseguiram chegar ao país vozonho. Em meados de dezembro, a tchetchena levantou dinheiro de uma caixa de multibanco automática em Istambul e foi filmada. Mark reconheceu-a e aos seus filhos assim que viu as filmagens de segurança, mesmo com os rostos tapados com burcas.   

O holandês só voltou a ter notícias da família em dezembro, quando a ex-mulher desvendou o seu paradeiro. De acordo com o jornal holandês "De Limburger Dagblad", os três residem agora em Tell Abyad, uma localidade fronteiriça no norte da Síria, controlada pelos radicais islâmicos. 

Segundo o "El País", especialistas em raptos de menores admitiram que será "difícil" recuperar Luca e Aysha.