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Mudança histórica. Havana liberta prisioneiro norte-americano e EUA e Cuba retomam diálogo

Obama e Raul Castro cumprimentaram-se há pouco mais de um ano, em Joanesburgo, durante as cerimónias fún ebres de Nelson Mandela

Kai Pfaffenbach/Reuters

Libertação de Alan Gross, empreiteiro norte-americano que cumpria pena de 15 anos de prisão em Cuba, deverá enquadrar-se numa "profunda alteração" nas relações entre Washington e Havana. Obama e Castro falaram esta tarde ao mesmo tempo, em discursos transmitidos pelas televisões de ambos os países.  

Os Estados Unidos da América e Cuba vão reatar o diálogo com o objetivo de "normalizar" as suas relações diplomáticas, segundo fontes da Casa Branca citadas pelo jornal "The New York Times". O objetivo passa por reabrir, pela primeira vez em mais de meio século, uma embaixada americana em Havana. A representação diplomática de Washington na ilha de Fidel Castro foi encerrada em 1961, ano em que os EUA impuseram o embargo a Cuba, ainda vigente.

O anúncio de "alterações profundas" nas relações bilaterais - que o Presidente dos EUA confirmou numa declaração feita ao meio-dia local (17h em Portugal) - surge no dia em que Cuba libertou o empreiteiro americano Alan Gross, que estava preso há cinco anos devido a uma condenação por conspiração. Gross, de 65 anos, já terá embarcado num avião norte-americano para regressar ao seu país, anunciou um alto responsável norte-americano.

À mesma hora que Obama, falou o Presidente de Cuba. O "Granma", jornal oficial do Partido Comunista Cubano, anunciou que Raúl Castro iria dirigir "ao nosso povo e à opinião pública" para "realizar um importante anúncio sobre as relações com os Estados Unidos". O discurso foi transmitido por todos os meios de comunicação da ilha.

Aparentemente a libertação de Gross fará parte de um acordo que prevê que os Estados Unidos libertem três cubanos presos na Florida por espionagem. O senador republicano da Florida, Marco Rubio, indicou à agência Associated Press que os dois países acordaram uma normalização das suas relações bancárias e comerciais.

Alan Gross fora detido em 2009 numa altura em que se encontrava em Cuba a trabalhar para a Agência dos EUA para o Desenvolvimento Internacional (USAID), supostamente encarregue de expandir a rede de Internet numa pequena comunidade judaica. Em 2011 foi condenado a 15 anos de prisão por ter conspirado contra o regime cubano e apelidado por Castro de "espião".

No início deste ano começara uma greve de fome. Ainda segundo as informações do alto funcionário norte-americano, que falou sob anonimato, foi libertado em nome de "motivos humanitários".

[Notícia atualizada às 18h15]