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Milhares ocupam Madrid contra fim da "Doutrina Parot"

Vítimas de terrorismo exigem "Justiça" num protesto contra a libertação de etarras.

Raquel Pinto

Raquel Pinto

Jornalista

Milhares de espanhóis concentram-se esta tarde na Praça Colón, em Madrid, contra a polémica libertação de etarras. Em causa está a sentença do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos de anular a chamada "Doutrina Parot".

Pede-se "Justiça" e "não vingança" nesta concentração promovida pela Associação de Vítimas do Terrorismo (AVT) que teve início às 12h locais (11h em Lisboa). Os organizadores falam em 200 mil manifestantes que demonstram o descontentamento após a libertação em Espanha de Inés del Río, ex-comando da ETA.

A "Doutrina Parot", utilizada pelo sistema judicial espanhol, obrigava a calcular a redução de penas sobre o total da pena e não sobre o limite máximo de cumprimento de 30 anos, o que permitia estender a permanência na cadeia.

Proclama-se na praça "a última barragem pela dignidade democrática na Espanha", por entre o agitar de bandeiras espanholas, vaias e gritos contra os "traidores" do PP, presidido por Mariano Rajoy. "Temos renunciado a qualquer tipo de vingança por confiança no Estado de direito e só pedimos ao Estado uma coisa: justiça, completa e com maiúsculas", afirmou ao El País Ángeles Pedraza, a presidente da AVT.

Inés del Río saiu em liberdade no passado dia 22 mas só deveria ser libertada em 2017. Foi condenada a 3828 anos de prisão por um total de 24 atentados e assassínios. O Tribunal de Estrasburgo condenou o Estado espanhol a uma indemnização à etarra em 30 mil euros por violação da Convenção Europeia de  Direitos Humanos.

Ainda no rescaldo desta polémica decisão, a onda de contestação em Espanha ganhava um novo ímpeto com o anúncio da libertação de um segundo terrorista, Juan Manuel Píriz López, três dias depois de Inés del Río abandonar a prisão.