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Milhares de tunisinos protestam contra o terrorismo. Segurança foi reforçada

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FOTO FETHI BELAID/AFP/Getty Images

A Tunísia está de luto após o ataque ao Museu do Bardo, que matou 20 pessoas. Milhares saíram as ruas para pedir paz no país. "A luta contra o terrorismo vai continuar até ser exterminado", prometeu o Presidente.

Milhares de pessoas saíram às ruas de Tunis com bandeiras da Tunísia e velas para protestar contra o terrorismo, na sequência do ataque ao Museu do Bardo que matou na quarta-feira 20 pessoas.

Os manifestantes pediram paz para a Tunísia - primeiro país palco da Primavera Árabe, que levou à queda do ditador Zine El-Abidine Ben Ali, em 2011, e que continua a progredir no processo de transição democrática. Várias canções que marcaram o período da Primavera Árabe foram inclusivamente entoadas nas marchas de protesto, sobretudo, junto ao Museu do Bardo e da Embaixada de França.

Entretanto, o Presidente e o primeiro-ministro do país prometeram "guerra contra o terrorismo". "Quero que o povo da Tunísia perceba em primeiro lugar que estamos numa guerra contra o terror e que esta selvajaria perpetrada por grupos minoritários não vos vai intimidar. A luta contra o terrorismo vai continuar até ser exterminado", declarou Beji Caid Essebsi, num discurso transmitido na televisão estatal, citado pelo "The Guardian".

O Chefe de Estado garantiu por seu turno "punição severa" para todos os responsáveis, adiantando que dois já foram identificados. "Trata-se de Yassine Abidi e Hatem Khachnaoui que foram abatidos pelas autoridades", afirmou Beji Caid Essebsi, em entrevista à rádio RTL, explicando que poderá haver dois ou três cúmplices sem avançar mais pormenores.

Segundo o governante, o nome de um dos suspeitos já constava da lista dos serviços de informações do país, não tendo aparentes ligações a grupos terroristas. No entanto, o historial do indivíduo está ainda sob investigação. Nove pessoas foram entretanto detidas, refere a BBC.

Estado islâmico reivindica atentado

O autoproclamado Estado Islâmico (Daesh) reivindicou esta tarde a autoria do atentado num áudio que diz que os dois atacantes mortos pela polícia eram "soldados do Daesh". Na quarta-feira, uma organização pró-Estado Islâmico já tinha escrito na sua conta no Twitter: "Vocês começaram a lutar contra nós na coligação, por isso provem agora a punição". Em dezembro, um vídeo divulgado pelo Daesh já ameaçava a realização de um ataque à Tunísia.



As nacionalidades das vítimas mortais também já foram confirmadas: dois tunisinos - um condutor de um autocarro e um polícia; cinco japoneses, quatro italianos, dois colombianos, dois espanhóis, um australiano, um francês e um polaco. Falta apenas apurar a nacionalidade de um dos mortos.

Foram também feridas 44 pessoas, incluindo turistas de Itália, França, Japão, África do Sul, Polónia, Bélgica e Rússia, segundo o mais recente balanço das autoridades.

Turistas portugueses estão em segurança

A empresa MSC Cruzeiros garantiu esta manhã que "os turistas portugueses estão em segurança", anunciando que o seu navio MSC Splendida - que fez escala na quarta-feira no porto de La Goulette, em Túnis, - já deixou o porto tunisino às 6h00.



"Neste momento, o regresso dos passageiros ao navio ainda está a decorrer mas podemos confirmar que os passageiros de nacionalidade portuguesa já se encontram em segurança e a bordo", refere a empresa em comunicado.



Segundo a MSC Cruzeiros, havia turistas do cruzeiro que estavam a realizar excursões ao Museu do Bardo no momento do ataque.

Já a companhia de cruzeiros italiana Costa Crociere suspendeu esta quinta-feira as escalas dos seus navios em Tunis, alegando razões de insegurança.



O tiroteio no Museu do Bardo acontece no dia em que o parlamento da Tunisia, cujo edifício se situa ao lado do museu, se preparava para aprovar medidas antiterroristas - os trabalhos tiveram que ser suspensos e o edifício evacuado - e dias depois de um combatente tunisino do Daesh, Ahmed Al-Rouissi, ter morrido em confrontos com as tropas líbias perto da cidade líbia de Sirte.



Em fevereiro, as autoridades tunisinas prenderam 30 pessoas ligadas ao Daesh suspeitas de prepararem ataques no país.

Condolências de todo o mundo

O Conselho de Segurança da ONU já dirigiu as condolências às vítimas do atentado em Tunis num comunicado, sublinhando esperar que os "responsáveis sejam levados à Justiça".



A chefe da diplomacia europeia Federica Mogherini ofereceu "todo o apoio" à Tunísia na luta contra o terrorismo.

Também os EUA prometeram cooperação no combate ao terrorismo. "Vamos continuar juntos com os nossos parceiros tunisinos  na luta contra esta terrível violência", afirmou o porta-voz da Casa Branca, Josh Earnest, citado pela Reuters.

Já o ministro francês dos Negócios Estrangeiros, Laurent Fabius, considerou que a Tunísia foi alvo de um ataque terrorista porque o país representa a "esperança no mundo árabe", frisando que espera que não haja agora um retrocesso a nível da transição democrática.



A Tunísia é um dos países com vários cidadãos que se juntaram aos combatentes do Daesh no Iraque e na Síria, aumentando os riscos de ataques terroristas com o seu regresso ao país. Nos últimos meses, o país ficou também ameaçado pela crescente instabilidade na vizinha Líbia.