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Milhares de pessoas em marcha de homenagem a Boris Nemtsov

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FOTO YURIKADOBNOV/AFP/Getty Images

Apesar da marcha contra a guerra na Ucrânia ter sido cancelada, as autoridades de Moscovo autorizaram a realização de uma marcha de homenagem ao antigo vice-primeiro-ministro russo que foi assassinado na sexta-feira. Putin garante que "será feita justiça".

Milhares de pessoas estão-se a reunir este domingo no centro de Moscovo para marcharem pelas ruas da capital numa homenagem a Boris Nemtsov, antigo vice-primeiro-ministro russo e um dos maiores opositores de Vladimir Putin que foi abatido a tiro na sexta-feira.

A marcha terá como ponto de partida o Kremlin, de onde os participantes irão caminhar até à grande ponte de Moskvoretsky, local onde o político foi assassinado quando caminhava com a mulher.

As autoridades russas estimam a participação de cerca de 50 mil pessoas na iniciativa, no entanto, a organização diz esperar uma maior multidão.

Durante a noite, milhares de pessoas continuaram a acender velas e a depositar flores e mensagens junto ao local do crime, com frases como "Je suis Boris" em alusão ao atentado à redação do jornal "Charlie Hebdo" em Paris.

"As pessoas têm receio de apoiar o nosso movimento face a eventuais ameaças e Boris não foi exceção. Mas garanto que eles não nos vão parar", disse à BBC Mark Galperin, um ativista da oposição.

O ex-líder do Partido Liberal Democrata russo Yabloko pediu por sua vez justiça neste caso. "A responsabilidade política deste assassinato encontra-se com as autoridades e pessoalmente vom o Presidente Vladimir Putin", afirmou Mark Galperin.

Os investigadores admitiram que há "várias hipóteses em análise" para explicar o crime, incluindo a possibilidade de Boris Nemtsov, que era judeu, ter sido abatido  por radicais islâmicos ou que então que a ação foi levada a cabo por próprios elementos da oposição com vista a abalar a imagem do Presidente, refere a Reuters.

Já os partidos da oposição dizem que essa última tese demostra o "cinismo" da liderança russa que quer  desviara as atenções da crise económica e conquistar apoio em relação ao seu posicionamento face à Ucrânia.

"É um golpe para a Rússia. Se visões políticas são punidos desta forma então este país simplesmente não tem futuro", declarou Sergei Mitrokhin, líder da oposição.

Entretanto, o Presidente ucraniano Petro Poroshenko afirmou que  antigo vice-primeiro ministro russo durante a presidência de Boris Yeltsin, na década de 1990, e um dos mais fortes opositores de Putin, estava a preparar documentos com mais provas que evidenciavam o evolvimento de Moscovo no conflito no leste da Ucrânia. "Boris tinha declarado que estava a juntar mais provas que davam clara evidência da participação das Forças Armadas russas na guerra da Ucrânia. Alguém tev emedo disso e resolveu matá-lo", acusou o governante de Kiev.

Vladimir Putin que condenou o crime "cruel" enviou um telegrama à mãe de Boris Nemtsov garantindo que será feita justiça e que os responsáveis serão punidos.