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México captura dois dos homens mais perigosos do país

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Omar Treviño foi levado para a cidade do México, depois de ter sido detido pela polícia federal, na madrugada desta quinta-feira

SASHENKA GUTIERREZ/EPA

Servando Gómez e Omar Treviño, há muito procurados pelas autoridades mexicanas, eram líderes de dois importantes cartéis de droga. 

No espaço de uma semana, as autoridades mexicanas capturaram dois dos criminosos mais perigosos do país. Na madrugada desta quinta-feira, o líder do cartel de droga "Las Zetas", com o nome de código "Z-42", Omar Treviño, foi detido pela polícia federal e por militares em San Pedro Garza Garcia, um subúrbio de classe alta na cidade de Monterrey.

Treviño, que se rendeu sem que tenha sido disparado qualquer tiro, é considerado um dos homens mais "sanguinários" do México, informou o chefe que conduziu a investigação, Tomas Zeron.

Foi detido escassos dias após a captura de um outro criminoso, o mais procurado do México, na passada sexta-feira. Servando "La Tuta" Gómez, líder do cartel Kights Templar, foi preso em Morelia, no estado de Michoacan.

O departamento de Justiça norte-americano revelou que Gómez poderá estar por trás do assassínio de doze agentes federais mexicanos, cujos corpos foram encontrados em julho de 2009, quando ainda pertencia ao cartel "La Familia".

Enquanto líder do Knights Templar, Gómez referia-se a ele próprio como um criminoso de "alto gabarito". Tinha por hábito redigir "códigos de conduta" que eram depois distribuídos em autocarros e onde se lia que o cartel pretendia lutar contra a pobreza, a tirania e a injustiça, ao mesmo tempo que era acusado de crimes, extorsão e tráfico de droga.

Cartéis praticam atos de extrema violência

Estas detenções representam uma vitória para o Presidente Enrique Peña Nieto, que se encontra de visita a Londres, cuja liderança tem sido questionada perante a incapacidade do Estado mexicano resolver o caso do desaparecimento e alegado assassínio de 43 estudantes em Iguala, no estado de Guerrero.

O cartel "Las Zetas" é uma das organizações criminosas mais cruéis do México, conhecida por praticar atos dantescos, como colocar os seus inimigos em recipientes com óleo a ferver, ou decapitá-los. A organização é acusada de ter iniciado um incêndio que resultou na morte de 52 pessoas num casino de Monterrey, em 2011.

Enfrenta ainda acusações pelo assassínio de 72 imigrantes da América Central e do Sul, em agosto de 2010, e de outros 193 encontrados soterrados no ano seguinte, em San Fernando. Algumas das vítimas terão sido assassinadas por membros do cartel por se terem recusado a trabalhar como "mulas" no transporte de droga.

Treviño terá de responder perante a justiça por crime organizado, rapto e tráfico de drogas.

Analistas acreditam que estas detenções não determinam o fim do tráfico de droga nem da violência na região, e acrescentam que podem dar origem à criação de novos grupos de menores dimensões, igualmente perigosos.

"O maior problema que se coloca com a diluição de Las Zetas é o aparecimento de outras organizações, cujas competições internas podem gerar violência", disse à AFP um ex-funcionário do Departamento de Luta Anti-Droga dos Estados Unidos.