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Merkel aconselha Japão a reduzir tensões com China e Coreia do Sul

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FOTO KIMIMASA MAYAMA/AFP/Getty Images

Quando se aproxima o 70.º aniversário do fim da II Guerra Mundial, a chanceler alemã invoca o passado do seu país para pedir ao Japão para encarar a sua própria história bélica e aproximar-se dos vizinhos asiáticos.

A chanceler alemã Angela Merkel pediu esta segunda-feira ao Japão que se aproxime da China e da Coreia do Sul, esquecendo o passado de rivalidades entre os países durante a II Guerra Mundial. 

"Não estou aqui para dar conselhos específicos, mas penso que o Japão devia aprender a lidar com o seu passado. A história e a experiência ensinam-nos que os meios pacíficos de reconciliação devem ser procurados", declarou a chanceler durante um discurso numa conferência em Tóquio, no âmbito da sua visita oficial de dois dias.

Merkel invocou o passado alemão para dar como exemplo ao Executivo nipónico, sustentando que a aceitação da Alemanha na comunidade internacional, após a II Grande Guerra, só foi possível porque o país soube lidar com o tudo o que aconteceu.



"Houve uma aceitação por parte da Alemanha, que passou a chamar as coisas pelos nomes, e também gestos de generosidade por parte dos nossos vizinhos, nomeadamente a França, que teve uma contribuição bastante valorizada para a reconciliação", acrescentou.

A governante germânica aproveitou para citar um discurso do antigo Presidente alemão Richard von Weizsaecker, em 1985, no qual o político chamou ao fim da II Guerra Mundial o "Dia da Libertação", defendendo ainda que aqueles que querem esquecer o passado são "cegos no presente", refere a BBC.

70º aniversário do fim da II Guerra Mundial

Estas declarações de Merkel surgem numa altura em que se aproxima o 70.º aniversário do fim do segundo grande conflito mundial, onde tanto a Alemanha como o Japão saíram a perder. 



O primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, nomeou uma equipa de conselheiros para ajudá-lo a elaborar uma declaração a assinalar a efeméride, em agosto. Em discursos anteriores, o governante nipónico pedira "sinceras desculpas", referindo a "agressão" e a "guerra colonial". Ainda recentemente, o princípe herdeiro do Japão, Naruhito, pediu ao país para "olhar para trás humildemente", em referência aos acontecimentos bélicos do passado.

Desde o fim da II Guerra o Japão, a China e a Coreia do Sul tem vivido num clima de tensão diplomática, que aumentou nos últimos anos quando Shinzo Abe subiu ao poder em 2012. Entretanto, os ministros dos Negócios Estrangeiros dos três países vão reunir-se entre 21 e 22 de março em Seul, naquele que será o primeiro encontro em três anos, devido ao agravamento das relações diplomáticas.