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Massacre de Beslan foi o pior assalto a escolas, mas não o único

Forças especiais russas tomam de assalto a escola nº1 de Beslan

Reuters

Rebeldes separatistas e islamitas radicais partilham a predileção por matar em escolas. No massacre na Rússia de 2004 morreram mais de 330 pessoas, na maioria crianças. Ainda em novembro, na Nigéria, 50 rapazes foram massacrados na escola interna que frequentavam.  

Cristina Peres

Cristina Peres

Jornalista de Internacional

Houve quem classificasse o massacre de Beslan como o 11 de setembro da Rússia. No dia 1 de setembro de 2004, a tomada de assalto por rebeldes tchetchenos e inguches à escola nº 1 da cidade de Beslan, na república autónoma da Ossétia do Norte, fez mais de mil reféns, entre os quais 777 crianças.

Passados três dias de angústia e mortes episódicas que culminaram em massacre, o balanço deu conta de mais de 330 mortos, na sua maioria crianças. O assalto à escola de Beslan acabou por ser classificado como o ato de terrorismo mais sangrento levado a cabo em solo russo desde que a Tchetchenia tinha sido declarada independente, em 1991.

Os assaltantes eram membros do batalhão Ryadus-Salikhin e tinham sido enviados e instruídos pelo senhor da guerra tchetcheno Shamil Basayev que daquele modo exigia o reconhecimento da independência da Tchetchenia por parte das Nações Unidas e a retirada das tropas russas do seu território.

No terceiro dia de cerco ao recinto, as forças de segurança russas usando armamento pesado entraram no edifício após uma série de explosões. A consequência foi a morte de mais de mais de três centanas de reféns, centenas de feridos e um número alto de desaparecidos.   

O assalto teve lugar no dia da abertura oficial do ano escolar. Meia hora depois da entrada dos alunos, às 9h30, o edifício foi invadido por três dezenas de homens fortemente armados e de duas mulheres que envergavam cintos com explosivos. Na confusão inicial, cerca de 50 pessoas conseguiram escapar, ficando mais de mil reféns dos assaltantes.

Às 10h, os assaltantes começaram a armadilhar com explosivos o ginásio e outros edifícios da escola. Às 10h20, o Presidente russo, Vladimir Putin, cancela as suas férias em Sochi e regressa a Moscovo. De acordo com os números oficiais divulgados em 5 de setembro, até ao final do assalto morreram mais de 330 pessoas, 207 das quais identificadas, 700 pessoas ficaram feridas, 58 em estado crítico, das quais 386 foram hospitalizadas.

 

Boko Haram ataca escola na Nigéria

Em 10 de novembro último, 50 rapazes morreram e 80 ficaram feridos num ataque suicida a uma escola interna no norte da Nigéria. Um bombista suicida disfarçado de estudante detonou uma bomba matando meia centena de alunos com idades entre os dez e os 20 anos.

O caos instalou-se após a explosão do engenho na Escola Secundária Científica do Governo em Potiskum. Segundo testemunhas, a explosão foi acionada quando o diretor perguntou ao bombista suicida por que não envergava o emblema da escola. Ele ajoelhou-se e fez-se explodir no meio dos alunos. 

À semelhança de outras, esta escola com gestão governamental foi alvo do ataque reivindicado pelo grupo terrorista Boko Haram por não ser uma escola corânica. Outras têm sido alvo de ataques semelhantes levados a cabo pelos radicais islamitas ao longo dos últimos três anos naquela região da Nigéria.

Os assaltos e consequente rapto de centenas de alunas e alunos tem sido o outro dos métodos dos islamitas radicais. A campanha de Twitter #bringbackourgirls, que chamou a atenção do mundo para o rapto de mais de duas centenas de jovens, no nordeste da Nigéria, foi o exemplo mais mediático dos últimos meses.