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Malala falou-nos da maior mensagem do Islão, Satyarthi mostrou-nos a globalização da compaixão

Thorbjoern Jagland, presidente do Comité do Nobel, apresentou Malala Yousafzai e Kailash Satyarthi como "uma jovem e um homem, uma paquistanesa e um indiano, uma muçulmana e um hindu, ambos símbolos do que o mundo necessita: mais unidade, mais fraternidade entre as nações"

Nigel Waldron/Getty Images

Comité do Nobel entregou formalmente os prémios Nobel da paz aos distinguidos deste ano. "A consciência do mundo não pode encontrar melhor expressão do que através dos vencedores deste ano", afirmou o presidente do comité.

O indiano Kailash Satyarthi e a paquistanesa Malala Yousafzai receberam esta quarta-feira o prémio Nobel da Paz de 2014, que lhes tinha sido atribuído em outubro. A cerimónia ocorreu em Oslo, na Noruega, e distinguiu os dois vencedores como "campeões da paz".

Thorbjoern Jagland, presidente do Comité do Nobel, discursou antes da entrega dos prémios afirmando que "uma jovem e um homem, uma paquistanesa e um indiano, uma muçulmana e um hindu, ambos símbolos do que o mundo necessita: mais unidade, mais fraternidade entre as nações".

Kailash Satyarthi, de 60 anos, caracterizado pela sua "coragem pessoal", foi galardoado pelo seu papel na luta pelos direitos das crianças. "Recuso-me a aceitar que o mundo seja tão pobre quando o gasto global em armas, durante uma semana, é suficiente para levar todas as crianças à escola", disse o indiano no seu discurso de aceitação do prémio.

Já Malala Yousafzai, de 17 anos, tornou-se oficialmente na pessoa mais nova a receber um Nobel. Distinguida pelo seu papel na luta pelo direito à educação, realçou que "esta história não é única, é a história de muitas meninas".

No dia em que se assinala o aniversário da morte do sueco Alfred Nobel, Malala agradeceu em especial à sua família: "Obrigada ao meu pai por não me cortar as minhas asas, e por me deixar voar. Obrigada à minha mãe por me inspirar, por ser paciente e por dizer sempre a verdade, o que acredito fortemente ser a maior mensagem do Islão".

O discurso de Kailash Satyarthi foi assinalado pela crítica à cultura do silêncio e à passividade, apelando à luta contra a exploração infantil. "Vamos democratizar o conhecimento, universalizar a justiça. Juntos, vamos globalizar a compaixão", declarou o vencedor.

No dia a seguir à atribuição dos prémios, os vencedores são convidados a inaugurarem a exposição montada em sua honra. "É o momento de maior descontração das cerimónias, há um concerto, é uma grande festa", afirma Kirsti Svenning, a responsável pela comunicação do Centro Nobel da Paz.

Em exposição estará a farda que Malala vestia no dia em que foi baleada. "O meu uniforme escolar é muito importante porque o usava no dia em que fui atacada, estava a lutar pelo meu direito de ir à escola, lutava pelo direito de obter educação", afirmou.

Segundo a Organização das Nações Unidas, cerca de 58 milhões de crianças em idade escolar não vão à escola. Já a Organização Internacional do Trabalho estima que 168 milhões de crianças no mundo sejam forçadas a trabalhar.