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Mais um exame ao Governo de Dilma. Protestos em todos os Estados do Brasil e 11 países

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FOTO EPA

Milhares de brasileiros voltam às ruas. Três movimentos apartidários pedem o "impeachment"- impugnação do mandato da Presidente, reeleita a 26 de novembro de 2014.

Raquel Pinto

Raquel Pinto

Jornalista

Novas manifestações antiDilma saem este domingo às ruas em mais de 400 cidades do Brasil. Esperam-se milhares em Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro. É a segunda vaga em menos de um mês, depois do marcante protesto de 15 de março contra o governo e a corrupção ter reunido mais de dois milhões de pessoas.

A crise económica tem sido apontada como o resultado da ineficácia da administração da presidente brasileira. As manifestações estão marcadas para todos os estados do Brasil. Mas os ecos de descontentamento vão além fronteiras, em 11 países, incluindo Portugal, junto aos consulados do Brasil no em Lisboa e no Porto. 

Novamente o agitar de massas fez-se pelas redes sociais, por grupos apartidários. Os principais organizadores - Revoltados Online e Movimento Brasil Livre (MBL) pedem a investigação e punição dos envolvidos no escândalo de corrupção numa das maiores petrolíferas da América Latina, a brasileira Petrobas, e o "impeachment" [a impugnação do mandato] de Dilma Rousseff, que tem sido alvo de críticas e acusada de "omissão" das irregularidades postas a descoberto no âmbito da Operação Lava Jato quando era presidente do Conselho de Administração da Petrobas.

 

Greve geral na quarta-feira

Dilma, filiada pelo Partido dos Trabalhadores, chegou à Presidência do Brasil em 2010, e entrou na história como a primeira mulher a ocupar o cargo. A 26 de outubro de 2014, seria releita após uma segunda volta. 

O protesto deste domingo ocorre três dias antes da paralisação geral convocada por centrais sindicais e movimentos sociais.  Espera-se que números da marcha de 15 de março sejam ultrapassados. Segundo os dados do instituto de pesquisa Data Folha, 210 mil pessoas lotaram a avenida paulista em São Paulo, a maior aglomeração num ato político desde o movimento "Diretas Já" em 1984. 

Os manifestantes querem "descontruir o discurso governamental", referiu Kim Kataguiri, um dos líderes do MBL ao "Diário da Manhã".  Ao contrário do que Dilma fez crer, não pediam um pacote de reformas, mas a sua saída.  Este é o objetivo. Uma sondagem do Data Folha, divulgada no sábado no Folha de São Paulo, revela que a corrupção passou pela primeira vez a ser uma das principais preocupações dos brasileiros a par da saúde. Os resultados foram 23% e 22%, respetivamente, entre os 2834 entrevistados em 171 cidades entre quinta e sexta-feira. O apoio ao "impeachment" é elevado (63 % defende o afastamento de Dilma), mas 40% não consegue designar um nome alternativo. Ainda assim, 64% não acredita nesse cenário.

A governação de Dilma enfrenta este domingo um novo teste em menos de um mês.