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Internacional

Mais de três mil pessoas morrem no Mediterrâneo

Pelo menos 3400 pessoas morreram no Mediterrâneo ao tentar chegar à Europa.

HANDOUT/REUTERS

Só em 2014 "a estrada mais mortal do mundo" tirou a vida a 3.400 pessoas que procuravam melhores condições de vida na Europa. O alerta é dado pelo ACNUR que defende a revisão das políticas de gestão de migrantes.

O mar Mediterrâneo foi apelidado da "estrada mais mortal do mundo em 2014" pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR). Pelo menos 3.400 pessoas morreram ao longo do ano no Mediterrâneo ao tentarem chegar à Europa. Fugiam dos seus países para escapar à repressão, trabalho forçado e pobreza. O alerta foi dado nesta quarta-feira por aquela agência das Nações Unidas.

Desde o início do ano que mais de 207 mil refugiados tentaram atravessar o Mediterrâneo à procura de asilo - número que triplicou o recorde anterior. Em 2011, durante a primavera árabe, foram cerca de 70 mil os refugiados que fugiram do seu país.

"A Europa, a sul do conflito na Líbia, a leste do da Ucrânia e a sudeste dos da Síria e Iraque, está a ver aumentar o número de migrantes que chegam por mar", disse em comunicado o ACNUR. Itália e Malta são os destinos mais procurados por quem tenta alcançar melhores condições de vida.

O ACNUR criticou a gestão da migração dos Estados europeus, lamentando que alguns governos se preocupem mais em manter os estrangeiros fora das suas fronteiras do que em demonstrar respeito pelos pedidos de asilo. Segundo a agência da ONU, os Estados europeus devem enfrentar as causas reais e entender as razões pelas quais as pessoas fogem, protegendo as vítimas.

"É a resposta errada a ter num período em que há um número recorde de pessoas que fogem da guerra", disse o Alto Comissário António Guterres: "Todos os países têm preocupações de segurança quanto aos migrantes, mas as políticas devem ser estudadas de modo a que nenhuma vida acabe por se tornar num dano colateral".

No final de outubro, as autoridades italianas confirmaram o fim da operação "Mare Nostrum", dedicada ao resgate de embarcações em risco de naufrágio, alegando falta de apoio por parte dos parceiros europeus. Pouco tempo depois, nasceu uma nova operação com o mesmo fim - a "operação Tritão" - para patrulhar os mares e ajudar a resgatar migrantes em perigo, da qual Portugal faz parte. Só no mês de novembro foram resgatadas cerca de oito mil pessoas.