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Mais 66 jornalistas mortos em 2014

Estudantes participaram recentemente num memorial em Manila, Filipinas, para recordar os 32 jornalistas mortos na província de Maguindanao. Mortes ocorreram em 2009 mas continuam sem justificação por parte das autoridades locais

Erik De Castro/Reuters

Mortes de profissionais da comunicação social diminuíram relativamente ao ano anterior, mas algumas foram usadas como propaganda e cometidas de uma forma macabra, refere o relatório anual da Repórteres Sem Fronteiras. 

O ano que agora termina não foi fácil para os jornalistas: 66 profissionais foram assassinados e outros 178 foram presos, segundo um balanço anual publicado esta terça-feira pela organização não-governamental Repórteres sem Fronteiras (RSF).

A organização de defesa da liberdade de imprensa aponta que embora este ano tenham sido registados menos casos de jornalistas assassinados no exercício da profissão (66 em 2014, 71 em 2013), a violência contra os media sofreu uma alteração - as mortes são usadas como propaganda e cometidas de uma forma macabra.

"Raramente assassinam jornalistas com este sentido tão macabro de propaganda que choca o mundo inteiro", declara a organização no seu relatório anual, citado pela "Times". "A decapitação de jornalistas em 2014 mostra a magnitude da violência exercida contra as testemunhas indesejadas", afirma a ONG, referindo-se aos assassinatos dos americanos James Foley e Steven Sotloff, cujas mortes por decapitação pelos jihadistas do Estado islâmico foram filmadas. 

Dois terços dos 66 profissionais morreram em "zonas de conflito", como a Síria, que a Repórteres sem Fronteiras aponta como o país "mais letal para os jornalistas" - tal como no ano passado -, com 15 elementos mortos. Seguem-se a Palestina (sete mortos), Ucrânia (seis) e Iraque e Líbia (quatro em cada).

 

Trabalho de alto risco

A perseguição de regimes autoritários fez disparar entretanto o número de profissionais que abandonaram os seus países. Em 2014 foram 139 os jornalistas em fuga à repressão sentida internamente, número que dobra aqueles que o tinham feito no ano anterior.

Se o número de mortes de jornalistas baixou em cinco unidades comparativamente com 2013, já o número de raptos subiu. Em todo o mundo foram, ou continuam, raptados 119 profissionais dos media, uma subida de mais de 30% ( 87 casos no ano passado).  

"Só este ano, diversos países foram palco de manifestações, em ocasiões muito violentas, nas quais muitos jornalistas foram agredidos e até mesmo espancados pelos manifestantes ou pelas forças policiais", declara a RSF no seu relatório. Embora "os raptos sejam ataques contra a liberdade de informação, cuja gravidade não pode ser comparada à dos assassinatos", constituem "obstáculos para o trabalho dos jornalistas", lê-se também no documento.. 

"Informar é um trabalho de alto risco, especialmente se forem investigados temas como a corrupção ou crime organizado. Os grupos criminosos instalam o terror, às vezes em conjunto com as autoridades locais. Estes grupos não hesitam em divulgar listas negras nas quais aparecem os nomes dos jornalistas a serem mortos. Ameaças, agressões e homicídios multiplicam-se cada vez mais", denuncia a Repórteres sem Fronteiras.