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Maduro deixa em aberto. "Próximos dias" podem trazer início de conversações com os EUA

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FOTO RODRIGO ARANGUA/AFP/Getty Images)

Inédito encontro entre Barack Obama e Nicolas Maduro, o primeiro entre ambos, aconteceu após o encerramento da Cimeira das Américas, no Panamá, e durou cerca de dez minutos. A Casa Branca diz que Obama reiterou o "forte apoio a um diálogo pacífico". Foi "cordial" e "dissemos as verdades", referiu Maduro.

Raquel Pinto

Raquel Pinto

Jornalista

O Presidente dos EUA e o Presidente da Venezuela tiveram um encontro privado e inédito logo após o encerramento da VII Cimeira das Américas, numa altura de clima de alta tensão nas relações bilaterais. Maduro diz que os resultados históricos no Panamá, poderão resultar, "nos próximos dias", na hipótese de abertura de "um processo de conversações com o governo dos EUA".

Depois do encontro com o líder cubano Raul Castro, Barack Obama reuniu-se com Nicolas Maduro, numa sala adjacente aquela onde decorreu a convenção. Um encontro fortuito, de cerca de dez minutos, mas "sério e franco", declarou Maduro à cadeia televisiva multiestatal latino-americana Telesur. "Dissemos as verdades e, inclusive, diria que foi cordial", frisou.

De acordo com a Casa Branca, houve uma "breve troca" de impressões, e o presidente Obama reiterou " o nosso forte apoio a um diálogo pacífico" e que "o nosso interesse não é  ameaçar a Venezuela, mas apoiar a democracia, a estabilidade e a prosperidade naquele país e na região", afirmou Katherine Vargas, porta-voz da presidência norte-americana, citada pela "Reuters". 

 

"Quero um futuro também com os EUA"

Num discurso de 40 minutos proferido no sábado na cimeira, Maduro já tinha estendido a mão a Obama para reconduzir as relações entre Caracas e Washington, realçando que há dois anos que tenta um encontro com Obama, mas nunca obteve resposta.

"Estou disposto a conversar com o presidente Obama, com respeito e sinceridade, quando quiser", afirmou, depois de nas últimas semanas,  ter endurecido o discurso contra a ingerência dos EUA. "Quero um futuro também com os EUA", afirmou. Contudo, a oferta de diálogo foi condicionada. A exigência é a de que os EUA desmantelem a sua "máquina de guerra psicológica, económica, política e militar". O líder venezuelano reclama a "abolição" do decreto imposto em março pela Casa Branca que "declarou a Venezuela como uma ameaça e sancionou sete funcionários do seu governo".  

"Este decreto é muito perigoso. Não se trata apenas da sanção de sete honrosos venezuelanos. Tudo o que dizem sobre eles é mentira. É falso", sublinhou Maduro,  acrescentando que o decreto interfere na "vida interna" da Venezuela.

 

Apoio de peso

Obama não ouviu ao vivo o discurso de Maduro. Tinha-se retirado da sala da convenção para cumprir a agenda já programada: uma reunião com o seu homólogo colombiano, Juan Manuel Santos.

O presidente da Venezuela  parece ter angariado apoio dos principais países latino-americanos nesta "batalha". Para a presidente do Brasil, Dilma Rousseff, o "bom momento das relações hemisféricas não suporta medidas unilaterias de isolamento", enquanto a sua homóloga da Argentina, Cristina Kirchner, considerou "ridículo" que a maior potência do mundo possa considerar a Venezuela uma ameaça. Rafael Correa, líder do Equador, aproveitou para denunciar o "intervencionismo" de Washington.

Além de histórica, esta cimeira foi sobretudo da "verdade", na opinião de Maduro. "De forma livre, expressaram-se todas as razões morais para seguirmos unidos. A Venezuela recebeu o apoio unânime na região. Esse apoio é um voto de paz", disse nas declarações à Telesur. E deixou um sinal de mudança. Com os resultados da cimeira, "poderá abrir-se, nos próximos dias, a possibilidade de um processo de conversações com o governo dos EUA e explorar o caminho de relações de respeito, que  o fundamental. É o grito de toda a América Latina e o Caribe".