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Lufthansa sabia do episódio de depressão do copiloto em 2009

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FOTO REUTERS

Andreas Lubitz informou a escola de voo do episódio de "depressão severa", diz em comunicado a Lufthansa, dona da Germanwings. Os novos dados surgem na sequência de um inquérito interno. Nos Alpes franceses, as equipas de resgate continuam à procura da segunda caixa negra.

Raquel Pinto

Raquel Pinto

Jornalista

Andreas Lubitz, o copiloto da Germanwings que tudo aponta ser o responsável pela queda deliberada do voo U4 9525, informou em 2009 a escola de voo de que tinha sofrido um episódio de "depressão severa", comunicou esta terça-feira a própria Lufthansa, propietária da companhia de baixo custo. 

De acordo com a CNN e BBC, documentos na posse da Lufthansa, informações de treinos e médicos, incluindo correspondência via email, já terão sido partilhados com os procuradores. Os novos dados, que surgem na sequência de a companhia aérea alemã ter aberto um inquérito interno, remetem para um esclarecimento prestado pelo próprio Lubitz aos instrutores.

A Lufthansa já tinha revelado na semana passada que interrompera a formação na escola de pilotos em Bremen, por um período de seis meses e que essa situação "não era comum". Todavia, não adiantara detalhes sobre o motivo. Foi referido apenas superou com "sucesso" todos os testes e exames psicológicos necessários à obtenção licença para voar. O "The New York Times" adianta que a Lufthansa informa agora neste comunicado que o copiloto transmitiu a informação da depressão "quando tentou voltar à escola de voo após a paragem de meses nos estudos". 

A procuradoria de Düsseldorf, que tem a seu cargo a investigação da tragédia do Airbus 320 nos Alpes franceses, revelou na segunda-feira que o copiloto foi sujeito a psicoterapia devido a "tendências suicidas", mas o tratamento ocorreu anos antes de obter a habilitação para voar. Mas, na semana passada, na sequência de buscas à casa dos pais em Montabaur, cidade natal de Lubitz, e a sua residência em Düsseldorf, a procuradoria anunciava terem sido encontrados atestados médicos rasgados, que comprovam um tratamento em curso e uma baixa que incluía o fatídico dia 24, sugerindo que Lubitz estaria a esconder uma doença do empregador. 

A gravação áudio do cockpit encontrada numa das caixas negras recuperada há precisamente uma semana sugerem que Andreas Lubitz terá aproveitado uma saída do piloto para trancar-se no interior e efetuar a manobra de descida a pique do avião até ao embate nas montanhas, no sul de França. Ignorou os apelos do piloto para abrir a porta de acesso à cabine de voo, sem dizer nada. No ficheiro analisado apenas se ouve a respiração "calma", segundo a investigação. "Por amor de Deus, abre a porta. Abre a maldita porta!", disse o comandante em desespero, que terá forçado a entrada com o machado de emergência, já que é possível ouvir sons metálicos. Sabe-se que era Patrick Sonderheimer porque se identificou. Morreram todos os que seguiam a bordo do aparelho - 144 passageiros e seis membros da tripulação.  

Ainda não foi recuperada a segunda caixa negra, com o registo dos parâmetros de voo, e as equipas de socorro continuam a lutar contra o tempo para recuperar os destroços que possam ajudar à investigação e identificar os restos mortais, a fim de permitir às famílias o luto. O Presidente Francês diz que o corpos deverão estar todos identificados até ao final da semana.

[Atualizada às 20h15]