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Lista de investigados por corrupção na Petrobras abala sistema político brasileiro

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Instalações da Petrobras, no Rio de Janeiro, Brasil

Sergio Moraes/Reuters

Foram divulgados este sábado os nomes dos suspeitos de envolvimento no escândalo de corrupção na petrolífera estatal brasileira.

O sistema político brasileiro foi abalado com a decisão do Supremo Tribunal de investigar por corrupção os responsáveis das câmaras legislativas, 32 parlamentares e ainda 12 ex-deputados, entre os quais quatro ex-ministros da Presidente Dilma Rousseff.      

A divulgação da lista de suspeitos de envolvimento no escândalo de corrupção na petrolífera estatal Petrobras que a justiça brasileira ordenou investigar na noite de sexta-feira teve um forte impacto no Governo de Rousseff, já que inclui influentes ex-colaboradores da Presidente na sua campanha eleitoral.

Esta revelação agravou também as já tensas relações entre o Governo e o Congresso, pois a lista inclui importantes parlamentares dos partidos do Governo.      

O Supremo Tribunal brasileiro autorizou na sexta-feira à noite a abertura de investigações contra 49 pessoas, entre elas doze senadores, 22 deputados e doze ex-deputados de cinco partidos políticos, na sua grande maioria apoiantes de Dilma Roussef, devido ao escândalo na empresa petrolífera estatal.    

Os investigados foram denunciados como beneficiários da corrupção na maior empresa do Brasil por integrantes na rede que aceitaram colaborar com a Justiça em troca de redução de penas.

Implicados senadores, ministros e ex-Presidente 

Para além dos presidentes do Senado, Renan Calheiros, e da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, a lista inclui o ex-Presidente Fernando Collor de Mello e quatro ex-ministros de Rousseff: os senadores Edson Lobão (Minas e Energia), Gleisi Hoffmann (Presidência) e os ex-deputados Mario Negromonte (Cidades) e António Palocci (Presidência).   

Figuram igualmente na lista o senador Humberto Costa, que foi ministro da Saúde durante o Governo de Lula da Silva, e a ex-governadora do Estado de Maranhão, Roseana Sarney, filha do ex-presidente José Sarney.   

As forças políticas implicadas são o Partido dos Trabalhadores (PT), de Rousseff, o Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), do vice-Presidente Michel Temer, e também os apoiantes do Executivo Partido Progressista (PP) e Partido Trabalhista Brasileiro (PTB).   

Da oposição só será investigado o senador Antonio Anastasia, do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB).  

A decisão do Supremo Tribunal coloca em cheque Dilma Rousseff e os presidentes do Senado e da Câmara Baixa, influentes dirigentes do PMDB - a maior força eleitoral do país - que acusam o Governo de estar por detrás das acusações.  

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, negou que o Governo tivesse interferido ou influenciado a decisão do Supremo Tribunal Federal.  

"Quero reafirmar que em nenhum momento o Governo ou qualquer dos seus membros exerceu ou fez algo para influenciar a decisão de colocar ou retirar nomes da lista dos investigados", afirmou citado pela agência Efe.  

O ministro disse ser ilógico acusar o Governo de influenciar uma decisão que acabou por afetar na sua maioria políticos do PT e dos seus parceiros de coligação.

Dilma escapa por pouco

A decisão do Supremo Tribunal, embora livre Dilma Rousseff de um processo, deixou a chefe de Estado fragilizada porque foi incluída entre os acusados no escândalo mas que não serão investigados.

Numa das 21 investigações ordenadas, Rousseff é citada como beneficiária indireta da rede de corrupção, mas a Procuradoria alega que a Presidente só pode ser investigada por atos cometidos durante o exercício do cargo.  

O Supremo Tribunal, no entanto, ordenou que se investigue o ex-ministro Palocci, que coordenou a campanha eleitoral de Rousseff em 2010, por supostamente ter recebido recursos desviados da Petrobras para financiar as contas da campanha eleitoral.  

José Eduardo Cardozo alegou que Rousseff não foi incluída na lista porque não havia indícios contra si.

"A Presidente não será investigada porque não há provas ou indícios mínimos que justifiquem a investigação", disse.  

O escândalo na Petrobras está a ser investigado há quase um ano e, até agora, levou à prisão ex-diretores da petrolífera e um grupo de empresários que tinham negócios com a Petrobras.

Segundo as autoridades, os empresários obtinham contratos com a Petrobras, inflacionavam os preços, dividiam essa diferença com os diretores da empresa estatal e o resto distribuiam entre os políticos, que recebiam clandestinamente ou como "doações" para as suas campanhas eleitorais.