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Líder da Apple condena leis como as que permitem recusar alugar um quarto de hotel a casais gay

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FOTO REUTERS

Tim Cook já antes tinha prometido doar grande parte da sua fortuna a boas causas. Um perfil muito mais ativista que o do seu antecessor, Steve Jobs

Luís M. Faria

Jornalista

O CEO da Apple, Tim Cook, declarou abertamente a sua oposição a um conjunto de leis que, conforme explica, "permitem às pessoas discriminar os seus vizinhos". O anúncio foi feito num artigo de opinião publicado no "Washington Post". Os tipos de discriminações que Cook refere têm sido objecto de batalhas judiciais em tempos recentes. Incluem, por exemplo, recusar fazer um bolo de casamento ou alugar um quarto de hotel a um casal gay. 

Na maioria dos casos, os tribunais consideram-nas inválidas, por ofenderem leis antidiscriminação em vigor no país. Mas a contrarreação tem-se intensificado, sobretudo desde que o Supremo Tribunal invalidou legislação antigay, e o próprio presidente Obama declarou o seu apoio ao casamento entre pessoas do mesmo sexo (sobre cuja constitucionalidade o Supremo também se deve pronunciar até ao fim do ano). 

Grupos religiosos conservadores, apoiados pelos seus aliados políticos, propuseram e nalguns casos fizeram aprovar, a nível estatal, leis que vão em sentido contrário. No Indiana, o governador assinou há dias a chamada "Lei da Restauração da Liberdade Religiosa", que Cook diz poder ser usada para recusar servir pessoas que sejam gay. E o Texas vai ao ponto de negar ordenados e pensões aos funcionários que emitam licenças de casamento entre gays, mesmo que o Supremo Tribunal venha a decidir nesse sentido. 

"Estas leis racionalizam a injustiça ao pretenderem defender algo que muitos de nós estimamos", diz Cook. Além das suas motivações pessoais - assumiu no ano passado que é gay - assegura que a discriminação é má para o negócio - e diz que nunca será praticada na Apple. 

Com uma fortuna pessoal estimada em 800 milhões de dólares e dirigindo aquela que será a empresa privada mais rica do mundo, Cook dispõe de amplos meios para agir em defesa daquilo em que acredita. Ainda há dias prometeu doar a maior parte do seu dinheiro antes de morrer.