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Juncker. "O assunto não é a Grécia, é a interconetividade das redes europeias"

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EPA

Portugal, Espanha e França vão trabalhar em conjunto para reforçar as ligações de gás e eletricidade ao resto da Europa. Mas no final do encontro entre Rajoy, Passos, Hollande e Juncker foram mais as perguntas sobre a Grécia do que sobre as interligações energéticas.

Diz Mariano Rajoy que a "Declaração de Madrid" é um plano para passar à ação. Portugal, Espanha e França concordaram esta quarta-feira em acelerar o processo e garantir que até 2020, as ligações elétricas entre a Península Ibérica e o resto da Europa cheguem aos 10% da capacidade instalada. Atualmente é inferior a 3%.

"Se conseguirmos um mercado energético mais integrado, temos melhores condições para que as nossas empresas sejam mais competitivas", disse Passos Coelho no final da cimeira tripartida. O primeiro-ministro diz que estão já identificados projetos para chegar aos 8%, mas são precisos mais.

Outra vantagem da chamada União Energética - prioridade confessa de Jean-Claude Juncker, que também esteve presente em Madrid - passa pela diminuição do preço da energia a pagar pelos consumidores. Uma questão que foi sublinhada pelos três líderes europeus. 

Portugal, França e Espanha terão agora de trabalhar em conjunto na identificação de projetos que garantam que a meta dos 10% é atingida e que a Declaração não é apenas um papel. O agora criado "Grupo de Alto Nível para o Sudoeste da Europa" terá ainda de assegurar um acompanhamento regular do processo, que será também monitorizado pela Comissão Europeia.

Bruxelas será ainda responsável pelo estudo sobre as vantagens, os custos e as opções técnicas para novas interligações elétricas entre a Península Ibérica e o resto da Europa. Os primeiros resultados do estudo deverão estar disponíveis em meados de abril de 2015.

Diminuir a dependência do gás russo

O "interesse geopolítico" foi assumido por François Hollande. Sem falar diretamente da dependência europeia em relação ao gás russo, o Presidente francês sublinhou a importância da "diversificação das fontes energéticas".

A alternativa passa agora por usar Portugal e Espanha como porta de entrada para o gás vindo de África. Em cima da mesa pode estar a utilização dos terminais de gás natural liquefeito (GNL) - como por exemplo o de Sines, em Portugal - para abastecer os mercados da europa central e de leste.

O objetivo é o "desenvolvimento de infraestruturas de interconexão de gás, de forma a aproveitar o potencial oferecido pela Península Ibérica", explicou o primeiro-ministro português.

Segundo fonte da Comissão, os terminais de GNL existentes na Península Ibérica reúnem as condições para substituir 50% do gás que a União importa da Rússia.

Grécia rouba atenções à União Energética

A minicimeira franco-ibérica deveria ser o primeiro grande passo rumo a uma União Energética, como defende a Comissão Europeia, mas o encontro acabou por dividir protagonismo com a Grécia.

Em Madrid, multiplicaram-se as perguntas dos jornalistas sobre um possível terceiro resgate à Grécia - cenário afastado pelos quatro - e sobre as acusações do primeiro-ministro grego, insinuando que Portugal e Espanha pretendiam "minar" o governo do Syriza. Jean-Claude Juncker chegou mesmo a lembrar, com ironia, que o tema da cimeira não era a Grécia, mas a "interconetividade das redes europeias".

O presidente da Comissão lá acabou por dizer que não se apercebeu de qualquer "plano diabólico" para derrubar o Governo de Alexis Tsipras. "Se tivesse tido a impressão de que o Mariano e o Pedro alimentavam um plano assim tão detestável, eu teria agido, mas o que há é boas intenções", disse.

Questionado também sobre a entrevista publicada esta quarta-feira pelo "El País", em que Juncker dizia que "nas últimas semanas, Espanha e Portugal têm sido muito exigentes em relação à Grécia", o dirigente luxemburguês lançou que foi feita "uma leitura seletiva da entrevista", referindo que tinha também mencionado outros países como tendo sido "mais severos do que a Alemanha". Foi o caso da Holanda, da Finlândia, ou dos países do Báltico.

Na capital espanhola, Jean-Claude Juncker ouviu também elogios - de Passos, Rajoy e Hollande - sobre o plano ao qual dá o nome. Os três líderes esperam que os projetos das interconexões energéticas encontrem financiamento junto do novo Fundo Europeu para os Investimentos Estratégicos, que deverá mobilizar nos próximos três anos 315 mil milhões de euros.