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Já se aproximaram na fotografia. E nas negociações?

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Bruxelas. Tsipras e Juncker, em fevereiro. Amanhã, voltam a reunir. Mas o clima não é famoso

Reuters

Fonte europeia adianta ao Expresso que "não houve progressos substanciais" desde o início das negociações, quarta-feira, em Bruxelas. Esta sexta-feira, Tsipras e Juncker reúnem logo pela manhã. Agora a troika chama-se Grupo de Bruxelas.

Enquanto o governo grego continua a querer discutir as sete medidas que Varoufakis enviou por carta a Dijsselbloem, os credores europeus querem que as discussões técnicas abordem todo o programa de resgate que está por concluir. Fonte europeia adiantou ao Expresso que esta divergência ainda não permitiu qualquer avanço "substancial" nas negociações que começaram, ontem, entre o chamado "grupo de Bruxelas". 

A única diferença é que, agora, os técnicos da Comissão Europeia, Banco Central Europeu, e Fundo Monetário Internacional já podem viajar para Atenas. No entanto, não está prevista, para já, a visita dos chefes de missão, que deverão continuar a encontrar-se em Bruxelas para não ferir susceptibilidades. Por várias vezes, Alexis Tsipras decretou a morte da Troika e garantiu que esta não voltaria, em missão, a Atenas. Em causa estão as exigências impostas pelos tecnocratas das três instituições e consideradas "humilhantes" pelos governantes do executivo helénico.

A ida ao terreno é essencial para compreender o verdadeiro estado das contas públicas gregas e as necessidades de liquidez. As reuniões deverão, no entanto, decorrer fora dos ministérios - por exemplo, em hotéis, tal como exigido pelo governo grego, encarregado de organizar os encontros.  Ficou também acordado que, nas próximas semanas, o grupo de trabalho vai olhar para o orçamento grego, para as reformas estruturais e para as questões bancárias.

Um novo impulso 

Um novo impulso para as negociações poderá ser o encontro de sexta-feira de manhã, entre Alexis Tsipras e Jean-Claude Juncker, em Bruxelas. Margaritis Schinas, porta-voz da Comissão Europeia, diz que se trata de "um muito bom momento para que os dois líderes façam um balanço da situação", referindo-se ao programa de regate, que foi prolongado até junho, e ao estado da economia grega.

À mesa das negociações têm estado representantes da Comissão Europeia, do Banco Central Europeu (BCE), do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Mecanismo Europeu de Estabilidade, o dispositivo europeu de gestão de crises. Quatro instituições afastam ainda mais a ideia de "Troika", que está a ser substituída pela expressão "Grupo de Bruxelas". A designação parece agradar ao governo do Syriza que por várias vezes anunciou a morte da Troika e garantiu que esta não voltaria, em missão, a Atenas.

Fonte comunitária adianta que "o centro de gravidade é o Grupo de Bruxelas", mas que se houver necessidade, os técnicos serão enviados a Atenas. Apesar da resistência de Tsipras, não há alternativa à presença dos técnicos das várias instituições na capital grega. A presença no terreno é essencial para compreender o verdadeiro estado das contas públicas gregas e das necessidades de liquidez. As reuniões deverão, no entanto, decorrer fora dos ministérios, tal como exigido pelo governo grego encarregado de organizar estas visitas técnicas, em Atenas.  

Apesar dos apelos do Presidente do Eurogrupo para que o governo grego pare de perder tempo, continuam as discussões sobre "quem visita o quê". Um novo impulso para as negociações poderá ser o encontro desta sexta-feira de manhã, entre Alexis Tsipras e Jean-Claude Juncker, em Bruxelas.

Juncker e Tsipras: o reencontro

Do primeiro frente-a-frente com Jean-Claude Juncker,  Alexis Tsipras saiu a sentir-se "otimista". Foi em início de fevereiro passado, quando o Primeiro-ministro grego andava a percorrer várias capitais europeias à procura de apoio para renegociar o resgate grego. Ao contrário de Tsipras, o Presidente da Comissão Europeia preferiu não falar à imprensa sobre o teor da reunião. De acordo com fontes comunitárias, ficou claro, na altura, que era grande o fosso entre as exigências gregas e o que União Europeia estava disposta a conceder.  

Menos de seis semanas depois, e já com um acordo assinado, Tsipras volta a pedir a Juncker que o receba. Margaritis Schinas, porta-voz da Comissão Europeia, diz que se trata de "um muito bom momento para que os dois líderes façam um balanço da situação", referindo-se ao programa de resgate, que foi prolongado até junho, e ao estado da economia grega.