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Irão. Rohani diz que não haverá acordo sem o levantamento imediato das sanções

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O Presidente iraniano, Hassan Rohani, ao centro na imagem, avisou os negociadores internacionais que o Irão só assinará um acordo sobre o seu programa nuclear no dia em que as sanções forem levantadas

ABEDIN TAHERKENAREH/EPA

O Presidente Hassan Rohani disse ter ficado claro nas negociações em Lausana, na semana passada, que o Irão não vai ceder "à intimidação, às sanções e à ameaça". O Líder Supremo iraniano, Ayatollah Khamenei, acusa os negociadores de desonestidade.

O Irão só assinará um acordo final sobre o programa nuclear com as seis potências internacionais se todas as sanções impostas ao país forem levantadas nesse mesmo dia, avisou esta quinta-feira o Presidente iraniano, Hassan Rohani. As negociações que, decorreram durante uma semana em Lausana, vão prosseguir noutros moldes até à data de 30 de junho, o limite estabelecido pelos negociadores para a assinatura do acordo final.  

Os vários encontros que decorreram num hotel de luxo da cidade suíça, visaram estabelecer um acordo preliminar que defina as restrições a aplicar ao programa nuclear de Teerão, em troca de um alívio das sanções económicas aplicadas pela UE, ONU e Estados Unidos ao Irão.  

No entanto, Rohani deixou bem claro que nenhum acordo será assinado, a não ser que todas as sanções sejam levantadas nesse mesmo dia. "Queremos um acordo benéfico para ambas as partes envolvidas nas conversações sobre o nuclear", afirmou o Presidente.

À semelhança do chefe de Estado iraniano, também o Líder Supremo, Ayatollah Khamenei, afirmou, esta quinta-feira, não existir "qualquer garantia" de um acordo definitivo com as potências mundiais sobre o programa nuclear do Irão.

Numa mensagem publicada na internet, Khamenei disse ser "possível que o lado desonesto [as seis potências mundiais que negociaram o acordo] queira restringir o nosso país nos detalhes". 

"Nunca fui otimista sobre negociações com a América. Mesmo não estando otimista, apoiei esta negociação em particular e apoiei os negociadores", acrescentou no comunicado.

EUA não cedem na questão das sanções

Desde que o acordo provisório foi alcançado, na passada quinta-feira, Irão e EUA têm demonstrado diferentes interpretações em torno de alguns temas, entre os quais se destaca o levantamento das sanções.

Teerão pede o fim imediato das sanções, mas os Estados Unidos fizeram saber, na segunda-feira, que aquelas deverão ser levantadas gradualmente e não de um dia para o outro.

"O nosso objetivo nestas conversações é o de preservar os direitos da nossa nação em matéria de nuclear. Queremos um desfecho que seja benéfico para todos", disse ainda Rohani, que está decidido a não ceder a pressões. "A nossa principal vitória nas negociações teve a ver com o facto de o Presidente norte-americano Barack Obama perceber que os iranianos não vão render-se à intimidação, às sanções e às ameaças."  

Os negociadores iranianos, norte-americanos, alemães, franceses, britânicos, russos e chineses vão retomar as negociações em breve para abrir caminho a uma solução final.  

Na quarta-feira, o vice-embaixador do Irão na ONU, Gholam Hossein Dehghani, afirmou perante a Comissão das Nações Unidas para o Desarmamento que o meio mais prático e eficaz de eliminar armas nucleares passa por estabelecer um tratado "abrangente, obrigatório, verificável e irreversível". 

Desarmamento nuclear com poucos progressos 

Dehghani acusou ainda as cinco principais potências nucleares - Estados Unidos, Rússia, China, Reino Unido e França - de se terem comprometido com o desarmamento nuclear, e de não fazerem progressos significativos nesse sentido.

Defende ainda que sejam iniciadas negociações entre os Estados que detêm armamento nuclear e aqueles que não o possuem, que permita estabelecer uma data limite para erradicar as armas nucleares em todo o mundo. 

A reunião da Comissão da ONU, que junta 193 Estados-membros durante três semanas, antecede a próxima revisão do Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP), o mais importante pacto sobre armas nucleares, que se inicia a 27 de abril. O TNP tenta prevenir o alastramento de armas nucleares desde que entrou em funcionamento na década de 1970.

E tem-no feito através de uma negociação global: as nações que não dispõem de armamento nuclear comprometeram-se a não adquiri-lo; as que o têm mostraram-se empenhados em avançar para a sua eliminação; e todos concordaram no direito comum a desenvolver energia nuclear para fins pacíficos.