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Irão concordou com os parâmetros alcançados. Não poderá ter armas nucleares

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FOTO FABRICE COFFRINI/AFP/Getty Images

O número de centrifugadoras no Irão vai ser reduzido em dois terços e não poderá enriquecer urânio a uma percentagem superior a 3,67. Obama afirma ser um "bom acordo" e que, a partir de agora, o Irão será inspecionado "mais do que qualquer outro país".

Depois de uma semana de negociações intensas com vista à obtenção de um acordo que limite o programa nuclear do Irão, foi conseguido um entendimento entre sete potências mundiais e o Irão, na tarde desta quinta-feira. O acordo definitivo, esse, terá que ser alcançado até ao próximo dia 30 de junho. Para o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Mohammad Javad Zarif, as potências mundiais "fizeram história".

Na conferência de imprensa conjunta que sucedeu as conversações e que deu conhecimento de alguns parâmetros relativos ao acordo, Zarif disse que as nove horas de negociações feitas foram "um possível recorde" na história mundial e que este acordo é necessário para existir confiança entre as potências mundiais e o Irão e para ser feito um trabalho sério nos próximos anos. No entanto, refuta que "não estamos à procura de desculpas para violar este acordo, mas, até que o texto fique fechado, nenhuma parte tem obrigações".

Segundo os parâmetros acordados na cidade suíça de Lausana, o Irão concordou em reduzir aproximadamente em dois terços o número de centrifugadoras, equipamentos necessários ao enriquecimento de urânio, passando de cerca de 19.000 para 6104.   

Concordou também em não enriquecer urânio a uma percentagem superior a 3,67 e a reduzir o stock de 10 toneladas de urânio enriquecido para 300 kg. Ambas as medidas serão válidas durante 15 anos.  Apenas a central de Natanz estará autorizada a enriquecer urânio, operação essencial à produção de energia nuclear.   

Em contrapartida, serão suspensas algumas sanções dos Estados Unidos e da União Europeia, se as inspeções da Agência Internacional de Energia Atómica confirmarem que o Irão está a cumprir o acordado. Sanções essas que, para o Presidente dos EUA, Barack Obama - que reagiu ao acordo na Casa Branca -, são um "alívio" para o Irão. No entanto, deixou claro que as mesmas podem ser repostas, caso aquele país viole os termos do entendimento. 

Para Obama, este plano é o "melhor até agora" 

Num tom calmo, Barack Obama disse acreditar que foram as sanções contra o Irão que levaram o país a ceder e a sentar-se à mesa de negociações. Afirmou também estar convencido de que este plano é o "melhor até agora" para os EUA e os seus aliados, que ficarão "mais seguros". "Hoje, depois de muitos meses intensos, chegámos a um entendimento, e é bom. Vai limitar qualquer intuito do Irão para continuar a desenvolver um programa nuclear."

Obama continuou o seu discurso dizendo que, com este acordo, vai ser possível resolver "uma das maiores ameaças do mundo". No entanto, deixou claro que o acordo "pacífico" não vai dissipar as divergências que os EUA e o Irão têm tido ao longo dos anos. "Vamos continuar alertas e a vigiar o que eles fazem."

O Presidente dos EUA deixa um aviso, porém: "Se [o Irão] nos tentar enganar, nós vamos saber, através das inspeções que faremos". 

Na conferência de imprensa conjunta realizada esta quinta-feira, a porta-voz de política externa da União Europeia, Federica Mogherini, foi a primeira a falar sobre o entendimento preliminar. Afirmou que as potências mundiais "deram um passo decisivo" e que chegaram a conclusões. A porta-voz declarou ainda que a União Europeia e os Estados Unidos vão suspender a aplicação de algumas sanções económicas.  

Nas conversações de Lausana participaram, além do Irão, os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (EUA, Rússia, China, Reino Unido e França, todos eles potências nucleares), a Alemanha - o chamado P5+1 - e ainda a União Europeia.