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Investigação afasta teoria de explosão do A320 em pleno voo

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Helicópteros localizam os destroços e permitem o acesso das equipas de resgate e investigação nas montanhas dos Alpes franceses

FOTO EPA/GUILLAUME HORCAJUELO

Os investigadores centram-se nas pistas que os destroços podem dar, depois de já ter sido encontrada a primeira caixa negra, com o registo áudio do Airbus A320 da Germanwings. Segundo o Gabinete francês de Investigação e Análise de Acidentes de Aviação Civil, a reduzida dimensão dos fragmentos não é compatível com tese de explosão em pleno voo.

Raquel Pinto

Muitas perguntas. Muitas teses. Nada em concreto. O ministro francês do Interior Bernard Cazeneuve veio dizer que um atentado terrorista não é a principal hipótese que está a ser trabalhada. Mas "nenhuma teoria pode ser excluída neste momento", segundo o diretor do Gabinete francês de Investigação e Análise de Acidentes de aviação Civil (BEA), Rémi Jouty. Embora pareça improvável um atentado, o organismo que tem a cargo a investigação à tragédia que se abateu na terça-feira sobre o voo 4U 9525 da 'low cost' alemã Germanwings não descarta a possibilidade.

O que terá levado à descida de altitude durante oito minutos antes de se precipitar nos íngremes Alpes franceses? A pergunta mantém-se, enquanto em cima da mesa vão surgindo pistas. Ainda que seja cedo para criar uma imagem clara dos acontecimentos, a dimensão dos destroços já encontrados nas montanhas - que se supõe que estejam espalhados ao longo de uma extensão de quatro hecatares, "não são caraterísticos da explosão de um avião em pleno voo", descartou Jouti na conferência de impresa desta tarde de quarta-feira.

Fragmentos tão reduzidos sugerem outra formulação: o avião que partiu de Barcelona com destino a Dusseldorf bateu em terra e partiu-se. Ainda que cauteloso, sem querer apresentar em concreto hipóteses, Jouty afastou também as condições meteorológicas como causa provável da queda do aparelho. "Nenhum informação nos faz acreditar que tenha sido um fator chave", salientou, acrescentando ainda que "não parece que tenha havido uma paragem de motor". O cenário de acidente também não parece estar ligado a uma despressurização, mas Jouty lembra: "Não posso confirmar nada". O avião voou em linha reta para a região montanhosa. Se pelas mãos do piloto ou em piloto automático nada foi sugerido nas respostas aos jornalistas.

A agência de segurança francesa já tem na sua posse o registo dos sons e vozes extraído da primeira caixa negra localizada na terça-feira. o diretor do BEA não quis comentar se os pilotos estavam conscientes. É preciso "tempo" para analisar a gravação, uma tarefa que "não é tão fácil" como possa parecer, sublinhou, e poderá levar "semanas ou meses" a decifrar.

Minutos antes, o Presidente francês François Hollande tinha anunciado ter sido encontrada a "carcaça" da segunda caixa negra (onde ficam os registos de velocidade, aceleração ou altitude), mas não tinha sido encontrado o suporte com os dados, sendo que as buscas prosseguiam no sentido da sua localização.

Agentes do FBI em coordenação com os serviços de inteligência em França, Alemanha e Espanha estão a passar a pente fino o historial dos passageiros e tripulação, mas até ao momento não há nada que se destaque ou qualquer ligação a atividade criminal, noticia a "CNN", que cita fonte próxima das investigações.

"Ainda estamos todos em estado de choque profundo", manifestou Carsten Spohr,  o presidente executivo da Lufthansa, detentora da Germanwings desde 2009. O responsável disse não entender como um avião em "perfeitas condições técnicas" e com dois "experientes pilotos" possa ter tido este desfecho - 150 mortos, de nacionalidades de 18 países. Não houve um pedido de socorro.