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Internacional

Intensifica-se clima de guerra civil no Iémen

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Apoiantes do Presidente Hadi

Nabeel Quaiti / REUTERS

A minoria xiita Huthi tomou o controlo da terceira cidade do país, com o Presidente deposto a falar em "golpe de Estado". ONU fala num país "à beira da guerra civil".

Cátia Bruno

Cátia Bruno

Jornalista

O Iémen vive momentos de grande tensão entre o Governo e os rebeldes Huthis, depois destes terem conquistado no domingo a terceira maior cidade do país, Taiz. Os rebeldes da minoria xiita já controlam a capital do país, Sanaa, desde setembro e no início do ano ocuparam o palácio presidencial, colocando o Presidente Abdu Mansour Hadi em prisão domiciliária. 

A chegada a Taiz não foi uma surpresa. Desde sexta-feira que os iemenitas enchiam as redes sociais com fotos de tropas a caminho da cidade. Segundo os residentes, conta o "El Mundo", os Huthis tomaram o aeroporto da cidade sem qualquer resistência das autoridades locais. 

No sábado, o Presidente deposto Habi fez a sua primeira declaração televisiva desde que abandonou a capital, classificando a mobilização dos Huthis como um "golpe de Estado contra a legitimidade constitucional" e prometendo içar a bandeira iemenita nas montanhas Maran, consideradas uma fortaleza dos Huthis. 

No dia seguinte seria a vez do líder Huthi, Abdulmalik Al-Huthi, apelar aos seus apoiantes para se mobilizarem para o sul do país, onde se encontra a maioria dos apoiantes de Hadi. "Chamo o grande povo do Iémen a uma mobilização geral", disse, acrescentando que os países ocidentais e a Arábia Saudita procuram mergulhar o país no caos, à semelhança do que se passa na Líbia, onde várias milícias contestam a autoridade do Governo. "A estratégia é mais evidente do que nunca." 

Uma nova Líbia? 

O mediador das Nações Unidas no país, Jamal Benomar, declarou no domingo que o Iémen pode caminhar para "um cenário combinado de Iraque, Líbia e Síria", com crescimento de grupos jiadistas, que aproveitam o caos e o vazio governamental para crescer.  

Para Benomar, os acontecimentos dos últimos dias estão a empurrar o país "para a beira de uma guerra civil". O representante da ONU apelou aos membros do Conselho de Segurança que tomem medidas para evitar o crescimento da violência na região. 

Também Mohammed Albasha, um porta-voz da embaixada iemenita em Washington, fez um diagnóstico negro, como notou a Al-Jazeera. "Detesto dizer isto, mas estou a ouvir - alto e claramente - o rufar dos tambores da guerra no  Iémen", escreveu o diplomata na sua conta de Twitter na sexta-feira.  

Nesse mesmo dia, a capital Sanaa foi vítima de um atentado a duas mesquitas que matou mais de 140 pessoas. Um grupo próximo do autodenominado Estado Islâmico (Daesh) reivindicou a autoria do ataque às mesquitas.  

A ofensiva dos Huthis pode assim radicalizar ainda mais a ação de alguns grupos sunitas. A Al-Qaeda na Península Arábica já controla grande parte do sul do país e a sua ação, bem como a de outros grupos jiadistas, pode agora ganhar novo ímpeto.