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Internacional

Indonésia implacável na luta contra a droga: 8 prisioneiros estrangeiros vão ser executados

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Familiares do casal australiano sentenciado à morte na Indonésia.

IDHAD ZAKARIA/REUTERS

"Se a mamã não voltar para casa, pensem que está no céu." Esta foi a última frase que uma traficante de droga filipina disse aos seus filhos quando estes a visitaram na prisão de uma ilha na costa de Java. Agora será executada, juntamente com três nigerianos, um ganês, um brasileiro e um casal australiano. O Presidente indonésio não mostra clemência na luta contra as drogas.

A Indonésia prepara-se para executar oito prisioneiros estrangeiros: um casal australiano, três nigerianos, um ganês, um brasileiro e uma filipina. Além destes, há um cidadão nacional, Zainal Abidin bin Mgs Mahmud Badarudin, também no corredor da morte. Meia-noite (15h em Lisboa) foi o prazo estipulado pelas autoridades do país para terminar com a vida dos traficantes, como medida de luta "contra o terrível impacto da droga".

A par de centenas de pessoas, os familiares do casal australiano encontram-se há várias horas junto à prisão da ilha no largo da costa de Java, onde os seus entes queridos estão encarcerados. A confusão à porta da prisão é grande e as autoridades recorreram ao uso de cães-polícia para dispersar os manifestantes. A irmã de Chan chegou mesmo a desmaiar e o seu pai viu-se obrigado a levar a filha ao colo para fora da confusão.

Andrew Chan, de 31 anos, e Myuran Sukumaran, de 34, foram detidos na Indonésia em agosto de 2006, quando transportavam 8,3 kg de heroína de Bali para a Austrália. Todas as tentativas diplomáticas para salvar o casal falharam e nem o guia espiritual que Chan e Sukumaran requisitaram para acompanhá-los nas suas últimas horas de vida foi aceite.

"Nós não queremos tornar-nos inimigos de nenhum dos países, mas estamos numa luta contra as drogas, que têm um impacto horrível, sobretudo na Indonésia", afirma Muhammad Prasetyo, procurador-geral do país.

O Presidente indonésio, Joko Widodo, negou igualmente os pedidos de clemência do seu homólogo filipino, Benigno Aquino, que tentou poupar a vida a Mary Jane Veloso. Mãe de dois filhos, foi presa na Indonésia em 2010, mas ainda hoje afirma não ter tido conhecimento de estar a transportar droga na sua mala de viagem.

"Se a mamã não voltar para casa, pensem que está no céu" - esta foi a última frase que Mary Jane Veloso disse aos seus filhos, com seis e 12 anos de idade, quando a visitaram na prisão, como conta a irmã da reclusa, Marites Veloso.

Entre os outros prisioneiros estão as histórias dos três nigerianos, Raheem Agbaje Salami, Silvester Obiekwe Nwolise e Okwuduli Oyatanze, do ganês Martin Anderson e do brasileiro Rodrigo Gularte.

A execução será levada a cabo por esquadrões de 12 soldados, mas só três deles terão as suas armas carregadas.

Ainda há um décimo prisioneiro sentenciado à morte, o francês Serge Atlaoui, cuja execução se encontra pendente devido a procedimentos legais.