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Indonésia executa 8 detidos, incluindo 7 estrangeiros. Mary Jane Veloso foi poupada no último minuto

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Manifestantes filipinos junto à embaixada da Indonésia em Manila

FOTO EPA

Em causa estavam crimes de tráfico de droga. Foram mortos a tiro. Estavam detidos na prisão de Besi, na ilha de Nusakambangan. 

A filipina Mary Jane Veloso - empregada doméstica, mãe de dois filhos e detida na Indonésia em 2010 - não foi executada porque, momentos antes, uma mulher chamada Maria Kristina Sergio revelou tê-la recrutado para o mundo das drogas e entregou-se às autoridades locais. Todos os outros - os australianos Andrew Chan e Myuran Sukumara (que fazem parte do gangue "Bali Nine"), o indonésio Zainal Abidin, o brasileiro Rodrigo Gularte, os nigerianos Sylvester Obiekwe Nwolise, Agbaje Salami e Okwudili Oyatanze e o ganês Martin Anderson - foram mortos a tiro por esquadrões indonésios.  

Muitos familiares dos traficantes expressaram nas redes sociais o descontentamento perante as execuções. "Falhei, perdi", referiu o advogado de defesa dos dois australianos esta tarde.

Várias pessoas juntaram-se perto da prisão onde os nove prisioneiros estavam presos. A confusão à porta do estabelecimento prisional era tão grande que as autoridades locais utilizaram cães-polícia para afastarem os presentes do local. A irmã do australiano Chan, que esperava pelo início da execução, não aguentou e desmaiou. Foi o seu pai quem a ajudou, levando-a ao colo para fora da confusão instalada. 

A Austrália já havia apelado à Indonésia para adiar as execuções, alegando existirem falhas na forma como o caso foi conduzido. Também a defesa do brasileiro Rodrigo Gularte pediu ao governo indonésio para rever a decisão do presidente do país, Joko Widodo, que lhe havia negado clemência. Sem sucesso, porém.  

Dois australianos Andrew Chan, de 31 anos, e Myuran Sukumaran, de 34, foram detidos na Indonésia em agosto de 2006 quando transportavam 8,3 quilos de heroína de Bali para a Austrália. Todas as tentativas diplomáticas para salvá-los falharam e nem o guia espiritual que Chan e Sukumaran requisitaram para acompanhá-los nas suas últimas horas de vida foi aceite.  Um brasileiro Rodrigo Gularte, 42 anos, preso na Indonésia em 2004. Entrou no país com seis quilos de cocaína escondidos em pranchas de surf. Um ano depois foi condenado à morte. Ao longo de mais de dez anos, a família tentou reverter a pena de morte, alegando que sofria de esquizofrenia. Mas não bastou. Rodrigo Gularte foi o segundo homem brasileiro a ser executado na Indonésia, depois de Marco Archer Cardoso Moreira, de 53 anos, ter sido fuzilado na madrugada de 18 de janeiro de 2015.   

Três nigerianos Okwudili Oyatanze, de 41 anos, foi preso em 2001 enquanto tentava passar pelo aeroporto de Jacarta com cinco quilos de heroína no estômago e seria condenado à pena de morte em 2002. Na prisão, compôs mais de 70 canções, algumas delas até chegaram a ser gravadas, e protagonizou ainda espetáculos musicais.  

Sylvester Obiekwe Nwolise foi condenado por tráfico de droga em 2001. Meses antes estava desempregado e, numa tentativa de encontrar um emprego estável, mudou-se para o Paquistão. Ao invés de trabalhar, Sylvester foi "convidado" a engolir cápsulas, como a sua mulher relembra. E voou para a Indonésia. Logo no aeroporto, o nigeriano foi apanhado pelas autoridades locais, que lhe fizeram um raio-X e detetaram a droga alojada no estômago.

Raheem Agbaje Salami vivia nas ruas de Banguecoque quando um homem decidiu acolhê-lo. Pouco tempo depois, e segundo declarações de Salami no tribunal, o seu recente amigo perguntou-lhe se queria ter um emprego "bem pago". O trabalho consistia em receber 400 libras (558 euros) por levar um saco com roupas para a mulher desse homem que lhe deu abrigo, que vivia em Surabaia. Salami aceitou sem receios. Mas arrependeu-se logo de seguida quando percebeu que o saco continha 12 quilos de heroína. Era tarde de mais. Prenderam-no assim que aterrou no aeroporto de Surabaia, em 1999, tendo sido condenado a prisão perpétua. No entanto, em 2006, o Supremo Tribunal indonésio decidiu sentenciá-lo a pena de morte. 

Um ganês A detenção de Martin Anderson aconteceu em 2003 em Jacarta. Tinha na sua posse cerca de 1,8 quilos de heroína e pertencia a um gangue local. O homem de 50 anos viajou até à Indonésia com um passaporte falso, mas não conseguiu escapar. Foi condenado a pena de morte em 2004.  

Um indonésio Em dezembro de 2000, Zainal Abidin estava na sua casa em Palembang, no sul da província de Sumatra, quando dois amigos bateram-lhe à porta para passarem lá a noite. Carregavam consigo vários sacos que Zainal pensou (segundo o seu advogado de defesa) conterem arroz. Horas depois, as autoridades locais revistaram a sua casa e encontraram os sacos, repletos de marijuana. Detiveram-no, juntamente com um dos visitantes, que não conseguiu fugir. Em 2001, Zainal foi condenado a 15 anos de prisão mas, um ano depois, o tribunal da Sumatra voltou atrás e decidiu condená-lo à morte.