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Impasse. Grécia continua a esconder o jogo

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Governo liderado por Alexis Tsipras, primeiro-ministro da Grécia, está a implementar o seu próprio plano

Yannis Kolesidis/EPA

As negociações técnicas entre gregos e instituições estão a ser difíceis. Tsipras reúne-se esta quinta-feira com Merkel, Hollande, Draghi e Juncker, em Bruxelas. O encontro, à margem do Conselho Europeu, é mais uma tentativa política para desbloquear o impasse. O presidente do Eurogrupo também estará presente. 

Alexis Tsirpas quer resolver a nível político, o que as autoridades gregas e as instituições da troika não conseguem resolver no plano técnico. Em Atenas, os contactos entre as autoridades gregas e os representantes da Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional atravessam dificuldades. De acordo com fonte europeia, os pedidos de informação feitos pelas instituições têm recebido respostas incompletas da parte grega, o que está a tornar o processo mais lento. Falta informação e acesso a dados e números que ajudem os credores europeus a fazer um retrato da situação real dos cofres gregos.

A troika, ou o "Grupo de Bruxelas" como passou a ser chamado, alerta que a Grécia está a tomar decisões unilaterais. A 20 de fevereiro, no acordo assinado com os parceiros europeu,  o governo grego comprometia-se a não tomar (sozinho) medidas que levassem a "um impacto orçamental negativo".

Segundo fonte europeia, o governo de Tsipras está a implementar o seu próprio plano, de que é exemplo a lei para dar resposta à crise social na Grécia, aprovada esta quarta-feira pelo parlamento. A mesma fonte disse ao Expresso que os representantes das três instituições não foram tidos em conta na elaboração, nem nos cálculos orçamentais destas medidas - que incluem eletricidade gratuita e outros apoios sociais para os mais pobres.

Declan Costello, representante da Comissão Europeia nas negociações técnicas, terá alertado o governo grego para o problema, mas Alexis Tsipras voltou a sublinhar que não aceita ordens de tecnocratas.  "Representantes eleitos negoceiam com representantes eleitos, e tecnocratas com tecnocratas", disse esta quarta-feira, citado pelo jornal grego "Ekathimerini".

Negociar com os líderes europeus é o que o primeiro-ministro vai tentar fazer esta quinta-feira, em Bruxelas, enquanto decorre mais uma reunião de líderes europeus. Atenas pediu ao presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, para organizar um encontro com Angela Merkel e François Hollande. O convite para participar na reunião, à margem da cimeira, seguiu também para o Presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi e para Jean-Claude Juncker. O presidente da Comissão Europeia continua preocupado com a falta de progressos nas negociações e voltou quarta-feira a dizê-lo, aos jornalistas, em Bruxelas. Juncker diz que é importante que as várias partes façam esforços para que o programa de assistência financeira à Grécia seja concluído com sucesso.

Na reunião participa também o presidente do Eurogrupo. Esta tarde, fontes europeias davam conta que Jeroen Dijsselbloem ainda não tinha sido convidado, mas a presença do holandês está confirmada.

O pedido de Tsipras para se reunir com Merkel, Hollande, Juncker e Draghi à margem da cimeira de chefes de estado e de governo é mais um sinal de que as negociações técnicas não estão a correr bem. Em Bruxelas, cresce a apreensão em torno da Grécia e dos problemas de liquidez que o país atravessa. Fonte europeia dá conta de um "agravamento" da situação e de uma desconfiança em relação às intenções do governo do Syriza.

A tradição europeia mostra que a reuniões mais restritas são muitas vezes uma fórmula para encontrar consensos. Alexis Tripras terá esta noção e espera convencer Merkel e Hollande de que a Grécia mantém o compromisso com o plano de reformas. Dos parceiros europeus, o primeiro-ministro grego espera também ajuda financeira para fazer face crescentes problemas de liquidez. No entanto, qualquer "entendimento" ou declaração política que saia da reunião de quinta-feira e que diga respeito ao programa de assistência tem de ser aprovada por todos os países da moeda única - Eurogrupo - e na reunião, participam apenas quatro dos 19 estados-membros.