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Internacional

Houthis avançam para sul. E Presidente do Iémen foge... outra vez

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Forças leais ao Presidente Hadi, na província de Lahj, sul do Iémen

Reuters

Refugiado em Aden, Abed Rabbo Mansour Hadi fugiu para parte incerta, ameaçado pelo avanço dos rebeldes houthis. Horas antes, apelou à ONU que autorize uma intervenção militar no país.

Margarida Mota

Jornalista

O Presidente do Iémen fugiu esta quarta-feira do palácio onde vivia refugiado, na cidade de Aden (sul). Abed Rabbo Mansour Hadi seguiu para parte incerta, após os rebeldes houthis (minoria xiita que controla a capital desde setembro) terem avançado para sul e tomado a base aérea Al-Annad, a cerca de 60 quilómetros da cidade portuária de Aden, temporariamente transformada na capital do país.

Esta instalação militar era usada por tropas norte-americanas e europeias e era crucial para o desenvolvimento de operações com drones (aviões não tripulados) contra a Al-Qaeda na Península Arábica (AQPA), instalada no leste do Iémen. 

Recentemente, os Estados Unidos retiraram cerca de 100 militares ali estacionados após a AQPA ter conquistado uma cidade nos arredores. Também o Reino Unido retirou o seu pessoal. 

Segundo a AFP, citando um membro da guarda presidencial, o Presidente fugiu para o estrangeiro, a bordo de um helicóptero. Controlada pelos houthis, a televisão estatal anunciou uma recompensa de 20 milhões de riais iemenitas (85 mil euros) pela captura do Presidente.

Quem não conseguiu escapar foi o ministro da Defesa, Mahmoud al-Subaihi, detido pelos houthis na cidade de Lahj (sul), onde decorrem combates entre grupos rivais. 

As forças leais ao Presidente estavam em estado de alerta após a conquista, pelos houthis da cidade de Taiz, no domingo passado, considerada a "porta de entrada" no sul do Iémen. Segundo a Associated Press, milícias e unidades militares afetas ao Presidente "fragmentaram-se", facilitando assim o avanço dos houthis.

Sauditas reforçam dispositivo militar junto à fronteira

Na terça-feira, numa carta enviada ao Conselho de Segurança da ONU, o Presidente iemenita instou o órgão a autorizar uma intervenção militar no Iémen para travar "a agressão dos houthis". Hadi também pediu ajuda ao Conselho de Cooperação do Golfo (Arábia Saudita e as cinco petromonarquias) e à Liga Árabe.

A ofensiva houthi para sul foi declarada após os atentados suicidas, na semana passada, contra duas mesquitas frequentadas pelos houthis em Sana'a. O líder do grupo, Abdel-Malik al-Houthi, ordenou a mobilização geral das suas forças com o objetivo de combater a AQPA e outros grupos armados.

O Iémen é um dos países mais pobres do mundo e corre sérios riscos de mergulhar numa guerra civil generalizada, que pode arrastar toda a vizinhança: os houthis são xiitas como o poder no Irão (de quem recebem apoio), mas todas as lideranças da Península Arábica são sunitas.

Duas fontes do Governo dos EUA avançaram à agência Reuters que a Arábia Saudita está a deslocar equipamento militar pesado para junto da sua fronteira com o Iémen. "Se o golpe houthi não terminar pacificamente, nós tomaremos as medidas necessárias para proteger a região", disse o ministro saudita dos Negócios Estrangeiros, Saud al-Faisal.