Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Hillary Clinton muda de estratégia mas não se livra das críticas

  • 333

FOTO EPA

Há quem duvide da mensagem da candidata presidencial. Logótipo da campanha também foi alvo de uma chuva de críticas e piadas.

Após meses e meses de especulação, o inevitável acabou por acontecer. Hillary Rodham Clinton abriu finalmente a cortina e anunciou este domingo a sua candidatura à Casa Branca, sete anos depois da derrota nas primárias, podendo vir a transformar-se na primeira mulher a liderar os EUA.

"Sou candidata à presidência.Todos os dias os americanos precisam de uma defensora e eu quero ser essa defensora", declarou a antiga senadora e secretária de Estado num vídeo publicado no YouTube.

Com este passo, Hillary parece querer corrigir os erros da estratégia de 2007 quando dizia noutro vídeo: "Estou aqui para ganhar". Mostra agora uma atitude mais próxima do eleitorado, a que o jornal "Washington Post" classifica de "tom populista".

"Os americanos têm lutado contra tempos económicos difíceis, mas tudo parece jogar sempre a favor dos que estão no topo", disse a ex-primeira dama, de 67 anos, saindo em defesa da classe média.

A tónica do discurso deverá, contudo, passar a ser "todos os americanos" sem referência específica à "classe média", contrariando o lema de Bill Clinton nas eleições de 1991, quando o então candidato prometia restaurar o sonho americano para a "esquecida classe média."



No vídeo - onde surgem vários cidadãos norte-americanos com destaque para  a diversidade, nomeadamente trabalhadores, casais gays, negros e até um cidadão hispânico  -  não há nenhuma referência ao ex-Presidente norte-americano, existindo apenas algumas fotos com o marido no site da campanha, que tem também um espaço para doações.

Do lado da equipa que acompanha Hillary as expectativas são altas."Existe muito mais necessidade por parte dela de falar com o povo americano nos próximos meses", explicou ao jornal "The New York Times" Jennifer Palmieri, diretora de comunicação da campanha.

Já na véspera do anúncio Barack Obama defendera que Hillary Clinton seria uma ótima sucessora na Casa Branca, dominando qualquer temática de relações internacionais. "Ela foi uma fantástica candidata em 2008 e um grande apoio para mim nas eleições, foi uma secretária de Estado espetacular e é minha amiga. Penso que seria uma excelente Presidente", afirmou o líder norte-americano numa conferência de imprensa que assinalou o final da VII Cimeira das Américas, no Panamá.

"Hillary Clinton é só a mulher mais famosa do mundo. Existe muita intimidação do que pode vir daí", sublinhou Bill Burton, ex-porta-voz de Obama durante a campanha presidencial deste.

Dúvidas sobre a mensagem presidencial

Logo após o anúncio de Hillary, não demoraram também a surgir as primeiras reações negativas à candidatura da candidata pelo Partido Democrata. "A sua mensagem terá que ser muito bem cozinhada, caso contrário poderemos pensar: 'O que é que ela tem estado a pensar todo este tempo?'", questionou Russell J. Schriefer, conselheiro sénior do candidato republicano Mitt Romney, em 2012.

O candidato republicano Ted Cruz, senador do Texas, acusa-a por seu turno de pretender prosseguir com as mesmas "políticas erradas" de Obama. "Hillary Clinton representa as políticas falhadas do passado e será muito clara a escolha a fazer em 2016. Quer a América um terceiro mandato na mesma linha de Obama ou está pronto para uma liderança conservadora forte para tornar os EUA uma nação enorme novamente?", questiona.

Entretanto, o logótipo da campanha de Hillary tem sido alvo de paródia nas redes sociais, sobretudo, no Twitter com internautas a ironizarem se o 'H' que consta do símbolo presidencial não parece indicar um hospital ou se a seta que o sobrepõe não pretenderá apontar para uma viragem da candidata à direita.

Mais de metade dos militantes democratas (59%) dizem que deverão votar em Clinton, acima da percentagem registada em 2007, de acordo com a última sondagem do Pew Research Center.

Hillary estará em breve em campanha no terreno para conquistar eleitores. Já esta terça e quarta-feiras a candidata democrata deverá deslocar-se ao estado de Iowa para reunir-se com estudantes, professores e pequenos empresários.