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Grécia. Varoufakis admite novas eleições ou referendo

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Varoufakis mantém o seu discurso duro face à zona euro

FOTO REUTERS/Alkis Konstantinidis

O ministro helénico das Finanças diz que poderão ser agendadas novas eleições ou um referendo sobre a zona euro caso não seja aprovada a lista de reformas. Governo desvaloriza. Oposição acusa o governante de ser "irresponsável".

O jogo grego de pressões e ameaças continua. Forte e feio. Pela voz de Yannis Varoufakis. O ministro helénico das Finanças disse no domingo, em entrevista ao jornal italiano "Corriere della Sera", que a Grécia poderá marcar novas eleições ou convocar um referendo sobre a manutenção do país na zona da moeda única, caso o Eurogrupo chumbe o plano de sete reformas-chave proposto pelo seu Executivo.

"Se for necessário e se nos depararmos com uma postura implacável [por parte de Bruxelas], recorreremos a eleições ou a um referendo", declarou Yanis Varoufakis ao jornal italiano, sublinhando que nem ele nem o primeiro-ministro Alexis Tsipras estão "colados" aos seus lugares.



Depois de percebido o impacto de tais declarações, o porta-voz do governo grego já veio publicamente desvalorizar as afirmações do ministro das Finanças, garantindo que a saída da Grécia da zona euro não está em causa. "O ministro Varoufakis às vezes devia usar menos palavras e mais ação. E, provavelmente, o jornal 'Corriere della Sera' não interpretou bem as suas palavras", disse Gabriel Sakelaridis, porta-voz do Executivo helénico. Garante, todavia, que o Governo não vai ceder em relação a alguns aspetos.

Samaras critica Governo 

Do lado da oposição também não demoraram a soar as críticas às declarações de Varoufakis. O ex-primeiro-ministro e líder do partido Nova Democracia (direita), Antonis Samaras, defendeu que o referendo seria uma escolha "muito má" por parte do Executivo, que com essa opção se quereria demitir das suas responsabilidades.  

"Sempre que o ministro das Finanças abre a boca, cria um problema que dificulta a negociação ao país. Ainda que ele tenha conseguido um feito único, o de unir a Europa toda contra Wolfang Shaueble, o primeiro-ministro Alexis Tsipras devia substituí-lo quanto antes", declarou o porta-voz da Nova Democracia, Kyriakos Mitsotakis. Também o líder do socialista PASOK, Evángelos Venizelos, criticou a afirmação do ministro das Finanças, classificando-a de "irresponsável" e "contraditória".

Gregos confiam no Governo

Na mesma entrevista ao jornal "Corriere della Sera, Varoufakis afirma acreditar que o Executivo grego terá as bases para prosseguir com a sua tarefa de restaurar a dignidade do país, com forte apoio da população. "A nossa maior força é o vínculo de confiança com as pessoas. Não mentimos aos gregos. Depois de cinco anos em que se jurou querer salvar a Grécia, colocando-se tudo sobre os ombros dos pobres, as pessoas hoje estão mais otimistas", destaca.

Reiterando a ideia de que é vital não desiludir os eleitores, Varoufakis considerou ser também essencial alcançar um consenso com a União Europeia (UE), o Banco Central Europeu (BCE) e do Fundo Monetário Internacional (FMI). "Propomos alargar os prazos de reembolso e diminuir as taxas de juros. Gostaria que a Europa entendesse que este plano poderá constituir uma forma de devolver mais dinheiro e não menos [aos credores]. Na verdade, hoje temos dinheiro para pagar pensões e salários de funcionários públicos. Quanto ao resto vamos ver", acrescentou Varoufakis, recusando a hipótese de um terceiro resgate.

O titular da pasta grega das Finanças não deixou de criticar o BCE, acusando o organismo de ser "demasiado disciplinar" e apontando o dedo à União Europeia, que considera ter receio do programa do Syriza, uma vez que não quer uma mudança de rumo no Velho Continente.



"A Europa avança por inércia"   

"Há um silêncio, porque a Europa avança por inércia. É como um grande navio que leva tempo para mudar de rumo. Além disso, se a mudança é de um governo de esquerda radical, o medo prevalecente de que por trás há algo suspeito", frisa.



No fim-de-semana, Tsipras manteve conversações telefónicas com o Presidente francês François Hollande e o líder do BCE, Mario Draghi, a fim de facilitar as negociações. Draghi terá insistido que a Grécia só poderá usufuir de empréstimos caso realize todas as reformas.

Esta segunda-feira, o Eurogrupo volta a reunir-se para discutir, entre outros assuntos, a carta com sete reformas enviada por  Varoufakis ao Presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem. Os ministros das Finanças da zona euro deverão pressionar a Grécia a iniciar discussões técnicas com as instituições - e não com a troika, como recusa a semântica grega. Segundo Dijsselbloem, a Grécia não deverá receber dinheiro este mês, esperando o desembolso do empréstimo até ao final de abril.