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Grécia quer margem de manobra. Credores deverão manter posição firme

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O primeiro-ministro italiano Matteo Renzi fala com Angela Merkel, com Alexis Tsipras em segundo plano. Ajuda à Grécia domina todas as conversas

Olivier Hoslet/EPA

Merkel baixa expectativas e diz que não é de esperar que uma solução saia do encontro com Tsipras, Hollande, Juncker e Draghi. Primeiro-ministro belga ficou furioso por não ter sido convidado para a reunião informal sobre a Grécia que decorre, esta noite, em Bruxelas, à margem do Conselho Europeu.

Susana Frexes, em Bruxelas

Alexis Tsipras veio a Bruxelas em busca de (mais) um "acordo político", disse ao Expresso fonte próxima das autoridades gregas. O governo do Syriza tem noção de que a falta de avanço das negociações é grave e que é urgente resolver os problemas de liquidez dos cofres gregos. No entanto, dos parceiros europeus espera, não apenas, dinheiro mas também "margem de manobra" para governar com soberania.

 

Esta semana, a missão da troika - Banco Central Europeu, Comissão Europeia e Fundo Monetário Internacional - em Atenas, queixou-se de não ter sido envolvida no processo de elaboração da lei humanitária, aprovada esta quarta-feira no Parlamento grego e que previa, entre outras medidas, a distribuição de apoio e eletricidade gratuita a famílias carenciadas. Para o governo de Tsipras, os parceiros não tinham de participar no processo, por tratar-se de uma questão de soberania nacional.  

 

O governo grego acredita ainda que os parceiros europeus estão a usar "os problemas de liquidez" para pressionar o executivo de Tsipras a seguir o caminho das "medidas de austeridade". A mesma fonte diz ainda que até aqui foi a Grécia quem mais cedeu e que os credores europeus têm estado irredutíveis.

 

Até certo ponto, as regras, de facto, não mudaram. Esta tarde, à entrada para o Conselho Europeu, Angela Merkel veio dizer que da reunião informal sobre a Grécia não deverá sair qualquer solução. Para a chanceler alemã, as decisões devem (continuar a) ser tomadas no seio do Eurogrupo - grupo de países da moeda única, principais credores da dívida grega.

 

O discurso do Presidente francês também não mudou. "O que vai ser lembrado é o respeito pelos compromissos", disse hoje François Hollande, sublinhando ainda que os gregos têm de "mostrar que fazem reformas", se quiserem receber o dinheiro que resta do programa de assistência financeira. Para Hollande, o problema não é o pacote de ajuda humanitária aprovado ontem, mas a falta de medidas que "ponham os ricos a pagar impostos".

 

Na reunião que decorre, esta noite, à margem da Cimeira de líderes, participam Tsipras, Merkel e Hollande, juntamente com os presidentes da Comissão Europeia, do Banco Central Europeu e do Eurogrupo. Um encontro onde estará também o presidente do Conselho Europeu que organizou a reunião a pedido de Tsipras. "Ninguém quer um Grexit e todos querem evitar o risco de saída acidental da Grécia do euro", disse Donald Tusk, sublinhando, também ele, que esta é uma reunião informal e que "não vai ser decisiva".

 

Quem ficou aborrecido por não ter recebido convite para o encontro foi o primeiro-ministro belga. Charles Michel disse estar "furioso" porque a "Bélgica não deu, nem à França, nem à Alemanha, um mandato para negociar em seu nome.