Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Grécia. O fim de semana ainda não foi suficiente

  • 333

Fachada de um hotel em Atenas durante as comemorações do dia da independência, a 26 de março

FOTO REUTERS

Lista de reformas continua a ser discutida entre as autoridades gregas e representantes das instituições, em Bruxelas. A reunião do Eurogrupo que permitirá desbloquear eventuais verbas poderá só acontecer dentro de duas semanas.

Desde sexta-feira que as autoridades gregas debatem um conjunto de reformas com o chamado "Grupo de Bruxelas" - as instituições da troika: Comissão Europeia, Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional. Mas o trabalho feito durante todo o fim de semana ainda não foi suficiente para chegar um compromisso final, que permita a convocação de uma reunião do Eurogrupo - 19 ministros das finanças da zona euro - que desbloqueie eventuais verbas do programa de resgate.

Segundo o porta-voz da Comissão, Margaritis Schinas, são precisos mais dados vindos de Atenas. Recusando-se a revelar o conteúdo das medidas que estão a ser discutidas, Schinas disse esta segunda-feira de manhã, em Bruxelas, que o facto de "os especialistas terem trabalhado durante todo o fim de semana, e continuarem a trabalhar hoje, são um bom sinal e mostram a vontade e a seriedade de ambas as partes para chegarem a um compromisso de forma construtiva".

É, no entanto, um processo que se arrasta desde 20 de fevereiro, quando foi assinado o acordo de extensão do programa de assistência. Os problemas de liquidez gregos poderão fazer soar alarmes já nas primeiras semanas de abril. O primeiro-ministro grego comprometeu-se - na reunião com Merkel e Hollande, a 19 de março - a avançar rapidamente com reformas, de maneira a convencer os parceiros europeus a desbloquear (mesmo que em parte) os 7,2 mil milhões de euros que restam do programa de resgate.

Tsipras não está, contudo, disposto a abdicar da autoria política das reformas. Em cima da mesa deverão estar medidas para aumentar as receitas - que poderão ir até mais 3 mil milhões de euros -, relacionadas com a luta contra a evasão fiscal. Alexis Tsipras tem-se recusado a aumentar o IVA e a fazer cortes nas pensões e salários e terá, por isso, de sugerir alternativas, também do lado da despesa. As privatizações são outro tema sensível que poderá estar a arrastar as negociações com os credores.

Se as negociações com o Grupo de Bruxelas correrem bem, poderá ser entregue ainda esta segunda-feira uma lista final de medidas, mas a reunião do Eurogrupo poderá demorar a acontecer, com as festas da Páscoa a atrasarem ainda mais o processo.  

Segundo Margaritis Schinas, o Eurogrupo Working Group (EWG), o grupo que prepara as reuniões dos ministros da zona euro, poderá reunir-se antes das festas da Páscoa, através de conferência telefónica. Deverá também haver um novo encontro do EWG na próxima semana e só depois poderá ser marcada a reunião do Eurogrupo.

Sem a aprovação dos ministros das finanças da zona euro, não há libertação de verbas para encher os cofres gregos.