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Governo grego está preparado para congelar promessas eleitorais

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O Syriza foi eleito no passado dia 25 de janeiro e prometia "acabar com a austeridade"

FOTO ALKIS KONSTANTINIDIS/ REUTERS

Varoufakis admitiu que quer chegar a um acordo com os credores internacionais até ao próximo dia 20 de abril. Nem que, para isso, tenha que "suspender" promessas eleitorais.

O ministro das Finanças, Yanis Varoufakis declarou que o Governo grego está "preparado para suspender ou adiar a implementação de algumas promessas eleitorais", com o propósito de gerar um ambiente de confiança com os seus parceiros da União Europeia.

Numa conferência no norte de Itália realizada esta sexta-feira, o ministro das finanças grego mostrou-se confiante de que Atenas poderá chegar a um acordo com os seus credores internacionais até ao próximo dia 20 de abril, nem que isso signifique que "nos próximos meses em que temos negociações, suspendamos a implementação da nossas promessas [eleitorais] (...) Devíamos fazer precisamente isso no contexto de gerar um ambiente de confiança com os nossos parceiros", referiu aos jornalistas presentes na conferência.

Apesar de os parceiros terem acordado no passado dia 20 de fevereiro estender o programa de resgate da Grécia durante quatro meses, o acordo não permite à Grécia aceder aos fundos da zona euro e do Fundo Monetário Internacional.

De acordo com a agência Reuters, Varoufakis reiterou ainda que a Grécia estava na posição de conhecer as suas obrigações de pagamento da dívida, mas que não procurava apoio fora da Europa.

O partido grego Syriza venceu as eleições no passado dia 25 de janeiro e prometeu que iria terminar com a austeridade e renegociar os termos da dívida internacional de 240 mil milhões de euros. No entanto, tem enfrentado uma forte resistência por parte dos seus parceiros da União Europeia.

Grécia quer o mesmo tratamento que foi dado com Antonis Samaras em 2012 

Com a Grécia em risco de entrar em situação de default, o Governo helénico gostaria de obter mais empréstimos a curto prazo, esperando que resolver a situação depois através de credores domésticos. Mas o Banco Central Europeu (BCE) não está disposto a permitir que os bancos gregos carreguem mais no potencial risco da dívida e recusa-se a "fechar os olhos" à quantidade das dívidas que eles podem comprar.

No entanto, e como em 2012 o BCE fez tal gesto à Grécia, quando o então primeiro-ministro grego Antonis Samaras, precisou de mais dinheiro, Varoufakis pede o mesmo tratamento. "Acredito que estejamos a passar por uma situação semelhante agora e seria muito benéfico para nós que o BCE mostrasse o mesmo tipo de flexibilidade que mostrou há três anos", salientou o ministro das Finanças.